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Proposta (In)decente - Parte I


- Podes aproximar-te? Podes ouvir o que tenho para te dizer? E não, não é preciso sentares-te…podes ouvir-me de pé, onde estás, pois o que quero é me ouças ou melhor, que me escutes. Do outro lado da linha ouço-o mover-se um pouco, mas rapidamente o sinto estático, quase petrificado com as minhas palavras. - Estou a ouvir-te. – Diz simplesmente naquela voz quente que me aquece mesmo estando longe de mim. - Convidei um amigo para vir aqui a casa esta noite. – Um silêncio sepulcral ecoa. Perpetuo-o mais algum tempo e continuo. – Bem, não é bem um amigo, é alguém que conheço, com quem me relaciono esporadicamente. Gosto da companhia dele, de falar com ele, mas gosto sobretudo do que me faz sentir quando estou com ele…. – E desta vez ele interrompe-me. - Tu telefonaste-me para me dizer que queres foder com outro homem? E mais surreal ainda, contas-me o que vais fazer. Queres a minha autorização é isso? Sabes que isso não farei… - E neste momento quem o interrompe sou eu. - Não quero a tua autorização e nem sei se ele vai aceitar o meu convite, quero simplesmente que saibas porque quero que estejas presente. Eu até podia dizer isto de forma mais simples, mas tu sabes como é que eu sou…gosto de acrescentar alguns ingredientes extra ao manjar final. – Digo e espero a resposta dele. - Então estás a fazer-me um convite para um menage à trois com mais um homem, correcto? E se compreendi bem as tuas palavras, tu ainda não o convidaste a ele…. - Estás correcto. - E se eu te disser que não? Se não aceitar o teu convite… - Eu só preciso da tua resposta. Aceitas ou não? – E por momentos criou-se ali uma tensão tão desmesuradamente grande que tenho a certeza que se ele estivesse ao meu lado, não estaria quieto como se encontrava, estaria literalmente em cima de mim. Sabia que ele estava a pensar, a pensar no impacto de uma resposta positiva ou negativa e deixei-o pensar…até que. - A que horas queres que vá ter contigo? – Perguntou-me sem me responder à pergunta. - Depois de jantar, pode ser? – Perguntei eu. - E o teu amigo vai jantar contigo? – Perguntou-me ele creio que com alguma nota de insegurança na voz. - O que achas que devo propor-lhe? – Perguntei claramente a testá-lo, a testar os limites dele, os meus e quiçá do que nos ligava há anos. - Acho que deves convidá-lo para jantar. Entretanto eu chego. - Só isso? – Perguntei eu. - Não queres saber quem ele é? Como é? Porquê? - Não, não quero. Mas esperavas outra resposta? - Nem pensei nisso. Pensando no que me devolves, acho que estás a pensar simplesmente no meu prazer e de alguma forma a torturar-te com isso, mas sei que isso te excita tão ou mais que a mim. - Aceito o teu convite, mas há uma condição. Quero-te de vestido e sem roupa interior por baixo. - Ele vai perceber… - Digo sabendo que a roupa facilmente me denunciará. - Eu sei disso, e é isso mesmo que eu quero.

E desligamos o telefone.


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