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CONVITE PARA JANTAR - PARTE I

Foto do escritor: Eva RibeiroEva Ribeiro




- Tenho um convite para te fazer. – Dizes-me a meio do telefonema.

- Hmm….até tenho medo desse convite… - Digo, sabendo que de ti pode vir qualquer coisa.

- Quero convidar-te para jantar comigo. – Dizes e o que aparentemente poderia ser banal para qualquer casal, para nós era ainda algo que não nos era possível com facilidade e contávamos pelos dedos das mãos a capacidade ardilosa com que planeávamos cada encontro, pois conjugávamos dois mundos: o teu e o meu, e qual dos dois o mais complexo.

- Ia gostar muito. Já sabes onde? – Perguntei, não pela curiosidade da escolha do restaurante, pois isso era o que menos importava…mas para saber exactamente o que vestir.

- Veste-te para mim e estarás bem. – Dizes com a maior naturalidade e sei exactamente o que isso quer dizer…simplicidade mas não necessariamente descrição. – Vou buscar-te às 20h00.

E despedimo-nos…até à hora marcada.

Vesti-me a rigor para o jantar que me aguardava. Vestido preto e sapatos de salto alto, lingerie a condizer, mas desta vez rendada, transparente e com meias de liga da cor da pele, terminando com um colar prateado e uns brincos a condizer. Vesti um casaco cinzento para contrastar e fui ao teu encontro quando me ligaste a anunciar a tua chegada.

Entrei dentro do carro, olhei para ti e sem que pudesse travar, puxas-me para ti, dando-me um beijo sôfrego, intenso e que misturado com o teu perfume foi o melhor afrodisíaco para a noite que estava agora a iniciar.

- Marta…. – Dizes enquanto os teus lábios passam para o meu pescoço, beijando-me e mordiscando-me.

- Tiago…. – Digo ofegante. – Vamos? É que se continuarmos aqui, nem tu nem eu vamos conseguir parar…

- Estás…linda. – Elogias-me, tentando recuperar o controlo.

- Obrigada. Tu estás… - E hesito. – Tens a certeza que não queres parar aí em algum lado, antes de irmos? Esta tensão vai enlouquecer-me… - Digo, sabendo perfeitamente que partilhas a mesma vontade.

- Não…hoje quero enlouquecer-te. – Dizes e arrancas sem grandes explicações.

Olho para ti, sem dizer uma palavra e percebo que aquele silêncio te começa a incomodar. Conheces-me, mas não ao ponto de saber até que ponto consigo inverter facilmente as regras do jogo que decidiste começar. E sem aviso, levanto o vestido e vejo-te a olhar de lado, curioso para ver o que vai acontecer. Tiro as cuecas e coloco-as dentro da minha pequena carteira e começo lentamente a masturbar-me, como se estivesse sozinha naquele carro em andamento.

- Puta…és mesmo muito puta.

- Conduz. – Digo, calma mas provocadoramente. - Chegaremos ao restaurante, mas preciso de me tocar….deixas-me amor? – Pergunto-te trincando o lábio inferior.

- Não, não podes….quero-te excitada…descontrolada… - Dizes e percebo a erecção que já não consegues disfarçar e que se nota nas calças pretas que trazes vestidas.

E, contrariada, voltei a vestir as cuecas e tentei controlar o impulso de te tocar.

- Sabes que consigo vir-me sem me tocar, não sabes? – Perguntei tentando incendiar mais o que já ardia.

- Nunca me disseste, mas hoje isso vai garantidamente acontecer e num local público.

- É longe daqui? – Pergunto tentando perceber quanto tempo aquela tortura vai continuar.

- Estamos a chegar meu amor. – E quase fico com vontade de me bater.

- Isso é uma boa notícia. – Digo porque estava a começar a ficar com alguma fome de comida e de sexo.

Eu não fazia a menor ideia onde estávamos e honestamente era o que menos me interessava saber.

Mal entramos percebi que tinha acertado no vestido e tu na camisa branca.

O restaurante conjugava dois estilos distintos, rústico e clássico, e conseguia com este toque transmitir simplicidade e elegância. Percorremos o espaço entre as mesas de uma pequena sala e percebi que a nossa mesa, tinha sido reservada num alpendre envidraçado e virado para a montanha. Estava deslumbrada com o espaço envolvente…com a luz das velas em cima das mesas…era, sem dúvida, um espaço acolhedor onde me apetecia ficar, mas sobretudo me apetecia e sabia, com quase toda a certeza que nos íamos perder completamente.

- Já aqui tinhas estado? – Perguntei-te depois de nos sentarmos.

- Não, apenas ouvi falar deste restaurante e finalmente chegou o dia de experimentar. – Dizes e sabes o quanto eu gosto destes pequenos detalhes que me provam a todo o momento o quão especial sou para ti.

O empregado entregou-nos a ambos a ementa, mas acabei por fechar propositadamente a minha.

- Escolhe para mim. Conheces os meus gostos…simples mas intensos, que permanecem…. Estou nas tuas mãos Tiago. – Digo e percebo o teu olhar de regozijo. Sentes-te no comando e eu quero tanto ser levada por ti….seja lá para onde for.

- Assim será…escolhes o vinho? – Perguntas pois sabes o especial prazer que eu tenho em escolher aquela combinação perfeita.

- Sabes que te amo? – Perguntas e fazes-me suspirar quando te ouço fazer esta declaração de amor, sem eu estar à espera.

Levanto-me e aproximo-me de ti e, sem qualquer reserva, dou-te um beijo nos lábios e depois sussurro-te ao ouvido:

- Sei, mas agora meu amor, se me permites vou à casa de banho…preciso de tirar as cuecas que já estão um pouco molhadas…

E afasto-me de ti, sabendo perfeitamente os efeitos que esta minha confissão infligiram no teu corpo…sei como reages, como o teu corpo reage a mim e sinto o teu olhar preso em mim à medida que a distância que nos separa vai aumentando.

Regresso pouco tempo depois e sento-me confortavelmente na cadeira.

- Estás bem? – Pergunto tentando provocar-te.

- Se estou bem? Tu és muito puta….sabes em que estado me deixaste? E ainda por cima foi na altura em que pedi uma entrada para nós…. – Dizes, olhando para mim com uma imensa tensão acumulada.

- Relaxa amor. E guarda as minhas cuecas no teu bolso. – Pedi, com toda a calma, entregando-tas e ficando tu de novo no mesmo estado em que tinha deixado. – Já agora o que pediste para entrada? – Pergunto-te curiosa.

- Uns cogumelos Portobello recheados. O empregado disse-me que era uma especialidade…

- Adoro…aliás, vou aproveitar para lhe pedir o vinho a condizer. – E fiz o pedido mas não te disse que tinhas acertado porque adoro cogumelos de todas as formas….adoro o sabor e acima de tudo a forma como se desfazem na boca….é orgásmico. Não te disse, mas a minha expressão deve ter denunciado.

- Marta…

- Tiago…os cogumelos…estou a pensar neles. E lembrei-me que pode ajudar cheires as minhas cuecas…é porque tem o meu perfume e o cheiro da minha cona.

E entretanto os cogumelos chegaram e o empregado serviu-nos o vinho e depois desejou-nos, educadamente, um bom proveito. Coloquei o meu guardanapo de tecido, que até isso me agradou ao toque, sobre as pernas e olhei para ti que me observavas.

- Bom apetite amor.

- Marta….igualmente.

E comecei a saborear aquele cogumelo e a emitir exactamente os gemidos que ouves quando estamos a foder. Os meus olhos fecham-se e só consigo sentir….prazer…

- Hmmm. Delicioso. E depois dou um pequeno gole no vinho e sim…o syrah…aquele caramelo da casta misturado com o sabor do cogumelo…uma mistura que me faz quase ter um orgasmo.

- Puta se nós estivéssemos em casa…acredita que não ias acabar de comer o cogumelo…ias lamber o meu caralho todo. Estou com uma vontade….

- Mas eu posso deixar cair o meu guardanapo e….

- Marta….

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