
Chegamos à festa ligeira, mas propositadamente atrasados. Escolhi um vestido comprido, simples e fresco em amarelo e que contrastava com o meu tom de pele moreno e tu, por outro lado, vestias um fato preto com uma camisa branca por baixo. Nenhum dos dois tinha manifestado grande vontade em ir naquela noite, mas era uma causa nobre e a nossa presença era importante.
Quando entramos no hotel, um dos funcionários veio de imediato ao nosso encontro e rapidamente nos encaminhou para o local onde nos deveríamos dirigir: a uma das várias salas no último piso. Esperamos pelo elevador que nos levaria até ao último andar e quando entramos percebemos que, ao nosso lado, se encontrava um casal igualmente bem vestido e que rapidamente assumimos que iria para a mesma festa.
As portas do elevador fecharam-se e o elevador começou a subir, acabando por parar um andar acima onde entraram dois homens, obrigando-me a recuar um pouco e a ficar encostada ao espelho que se encontrava atrás de mim. Estavas de um lado, o outro homem de outro e à minha frente estava a outra mulher e que, naturalmente com aquela entrada se chegou mais para trás, acabando por me tocar ao de leve com o seu corpo…um toque leve, mas que fora o suficiente para me fazer reagir.
Contrariamente a mim ela tinha o cabelo ruivo, ondulado e que contrastava com o preto do seu vestido e com a brancura da sua pele. Ele estava vestido como tu, apesar de ser um pouco mais moreno e ter o cabelo um pouco mais escuro. Formavam, inegavelmente, um casal bonito e atraente. Olhei para ti, no meio destes pensamentos todos e vi que sorrias e, apesar de não saber exatamente porquê, julgo que, naquele momento, já adivinhavas o que eu estava a sentir e, tal como eu previa, ignoraste-me propositadamente.
Trinquei o lábio e não me esqueci do que se seguiu. A mão dele passou à minha frente e começou a tocar nas costas despidas dela, deslizando de seguida por ela e parando ligeiramente quando alcançou as suas nádegas.
Suspirei, tentei contar até vinte, mas perdi-me a meio…não estava resultar.
O toque dele aumentou de intensidade e ele apalpou-a, sem qualquer reserva ou pudor e, quando julgo que ía ficar por ali, a mão dele recuou um pouco e tocou deliberadamente no meu corpo, que estava apenas a uns centímetros dela. E naquele momento atravessou-me todo o tipo de ideias pelo pensamento…e entendi que não devia verbalizar nenhuma deles…só uma, a mais sensata talvez, enquanto continuei a sentir a mão dele subir por mim.
- Vocês vão para a festa de angariação de fundos da Fundação? – Perguntei ao homem que, contrariamente ao que esperava, não se detém perante o teu olhar divertido.
- Sim, vamos. – Respondeu-me com a maior calma do mundo. – E vocês? – Devolveu-me a pergunta.
- Também. – Digo e a porta do elevador abre-se e os dois homens saem.
Olho para o mostrador do elevador que indica o piso onde estamos e vejo que ainda nos falta subir metade.
O vestido decotado e de alças que trago atraiçoava-me e inevitavelmente a excitação que comecei a sentir, por estarmos naquela situação, fez disparar a minha líbido e o meu corpo reagia…os meus mamilos endureciam e quase enlouquecei quando ele começou a percorrer o meu corpo com o olhar.
E nesse momento ela virou-se para mim e só tive tempo de desviar o meu olhar dele para ela. “Céus” pensei, mas não disse, quando encarei o seu olhar.
Ela estendeu o braço na minha direção e percorreu o meu braço desde a mão ao ombro, acariciando a alça entrançada que segurava o vestido, fazendo-a deslizar um pouco.
- É um crime trazer um vestido destes sem soutien. – Dizia ela com um ar provocador, olhando para ele.
- Chegamos. – Disseste tu subitamente quando o elevador para no último andar.
Eles saíram primeiro e de seguida nós. E com alguns passos de distância deles, percorremos o mesmo corredor, seguindo as indicações que já reconhecíamos da Fundação.
- O que é que acabou de acontecer? – Perguntei eu.
- Só o início da noite calma e aborrecida que tu previas. – Respondeste-me.
Quando entramos, reparamos que já se encontravam algumas pessoas dispersas pela sala que conseguia, pela sua decoração, conjugar harmoniosamente intimidade e conforto com luxo e requinte. Fomos entrando, tendo escolhido ficar no fundo da sala, longe dos olhares mais atentos, tendo ali permanecido até um dos empregados se aproximar de nós e nos oferecer uma bebida.
E com um copo na mão percorri a sala com um só olhar e vi todas as pessoas descontraídas e agrupadas em pequenos grupos, encontrando relativamente perto de nós, sem qualquer dificuldade, o casal que havia partilhado o elevador connosco e que conversava animadamente com mais algumas pessoas. Discretamente fiz sinal ao André e ele seguiu o meu olhar até os encontrar. Sorriu-me…um sorriso perverso que conheço bem e depois sugeriu-me:
- E se nos aproximássemos? – Perguntou-me, sabendo perfeitamente que a mais vaga sugestão que fosse só me iria inflamar.
- Não creio que seja necessário. – Digo eu, ao fim de algum tempo, o que o deixou surpreso. – Estão a vir nesta direcção. – Disse enquanto baixava gradualmente o timbre da minha voz.
Fingimos alguma indiferença quando se aproximaram, mas o facto de a sala ter mergulhado quase na penumbra total para o início do evento daquela noite, acabou por ser o catalisador para o que se seguiu. E quase simultaneamente, o anfitrião começou a discursar, em cima de um pequeno palco improvisado para o efeito e tentei, em vão, concentrar-me nas suas palavras, mas a presença daquele homem ao meu lado estava a dificultar o processo. Olhei para o lado e vi que estavas tão perdido como eu e foi, nesse preciso momento que decidi recuar alguns passos para trás, nunca deixando de o ter no meu encalço, como se de uma presa me tratasse, acabando por ir de encontro a uma das colunas da sala e que contornei hábil, mas lentamente, até a sua estrutura me ocultar completamente. E sem qualquer reserva, acerca-se de mim e eu, contrariando a minha vontade, dei mais um passo para trás…queria provocá-lo, queria prolongar aquela caçada mais algum tempo, afinal era tudo uma questão de tempo e de espaço, mas ele percebeu o que eu pretendia fazer e aproxima-se mais, cerca-me com o seu corpo e inibe qualquer movimento que eu pudesse ter intenção de dar e vira-me, de seguida, de encontro à coluna, colocando as minhas mãos sobre ela e segurando-as com uma das suas.
Sinto-o aproximar-se mais de mim, colar o seu corpo ao meu, permitindo-me sentir o seu calor e também a erecção que as calças do fato já não escondem. Tento libertar-me do seu domínio, mas ele não cede, bem pelo contrário, a força que exerce sobre mim aumenta um pouco mais. E ao mesmo tempo sinto uma das suas mão deslizar sobre as minhas costas, contornando-as e procurando um dos meus seios…que acaricia, primeiramente através do vestido, mas depois não se coíbe de subir pelo meu braço até ao ombro, fazendo a alça que segura o vestido deslizar até meio do braço, destapando-o por fim….e sinto finalmente o seu toque quente na minha pele, uma carícia sem pressa e que desenha o contorno do meu seio até encontrar o mamilo já endurecido…que toca….sente….para de seguida descer pelo meu ventre e puxar, ao mesmo tempo, o meu vestido ligeiramente para cima, até à altura das ancas.
Nessa altura, procura, sem qualquer pudor, o tecido das minhas cuecas e toca-me na vagina através delas, afastando-as gradualmente para acariciar os meus lábios já molhados. Suspiro…fecho os olhos…e deixo-me ir…e é quando sinto o seu corpo deslizar sobre mim que as minhas cuecas cedem…descem pelas minhas pernas como se tivessem vontade própria....até o sentir erguer uma das minhas pernas e mergulhar a sua língua na minha vagina…lambendo-me…acariciando-me…até sentir um dos seus dedos entrar dentro de mim.
E nesse momento ouve-se na sala uma enorme aclamação e as luzes gradualmente voltam a preencher o vazio anterior…e só tenho tempo de me voltar, encontrar o olhar dele…para de seguida prender a alça do vestido e sair dali.
E depois, sem olhar para trás, abandono a sala, voltando novamente ao corredor que percorremos para ali chegar e que desta vez sigo, mas na direcção contrária.
Ouço os seus passos atrás de mim e acelero o passo até alcançar a última porta do corredor. Entro e dou alguns passos no seu interior até o sentir novamente atrás de mim....e é quando o ouço dizer-me:
- Esqueceste-te das cuecas.
Comments