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112 - PARTE I

Foto do escritor: Eva RibeiroEva Ribeiro



- Estou?!!... - Digo com dificuldade ao marcar, pela primeira vez, o número 112. - Preciso de ajuda. Acabei de ter um acidente...tenho sangue na perna e não me consigo mexer. - Digo, pedindo ajuda.

A custo dei as indicações, através do GPS do carro e depois não me lembro de mais nada, a não ser quando cheguei ao hospital e fui acordada abruptamente por luzes, sons, vozes, tudo ao mesmo tempo. Era demasiado ruído, demasiados sons misturados...e a minha cabeça só pedia silêncio.

- Nome, idade e quadro clínico da paciente? - Ouço um homem perguntar, deduzindo que talvez fosse o médico.

- Mariana, 38 anos e com entorse no membro inferior esquerdo. - E continuou, mas desta vez era uma voz feminina. - Ferimentos ligeiros e pequenas escoriações.

- É possível saber como aconteceu o acidente? - Perguntou a mesma voz masculina, mas os meus olhos teimavam em não querer abrir.

- A ambulância que a socorreu, Dr. Miguel teve de a remover do carro. Poderá ter sido um despiste, pois estava na berma da estrada, mas não sabemos mais do que isto. - Respondeu, possivelmente uma auxiliar.

- Apesar das pequenas lesões, os sinais vitais estão estáveis neste momento, mas por precaução vamos mantê-la sob observação. - Terminou por dizer.

-São 23h30 e julgo que só ficamos nós e as auxiliares aqui na urgência. O serviço está calmo e...podíamos....- Incitou a mesma voz feminina, mas já sem o trato profissional anterior.

-Não fico descansado enquanto a paciente não estiver completamente estabilizada. Daqui a uma hora talvez... - Diz ele, mas o meu discernimento já me permite ver que ele quer apenas adiar a questão e a vontade, não é aquela que seria de supor quando se ouve uma proposta destas.

-Vou fazer a ronda pelo resto dos pacientes do piso. - E percebo que se afasta lentamente, deixando-me com ele.

-Até já. - Respondeu-lhe simplesmente.

E mesmo sem abrir os olhos, consigo dizer a custo:

-Dizer que não também é uma opção Dr.... - E dizendo isto ele aproxima-se de mim.

-Mariana, finalmente acordou. Quer contar-me como foi o acidente que teve? - Perguntou-me.

-Estou mais interessada na vossa história de amor às escondidas do que no acidente que tive. - Digo e os meus olhos vão-se abrindo gradualmente.

-Preciso de completar as informações do seu processo. Consegue ajudar-me? - Perguntou ele.

-Sim, consigo...deixe-me só erguer um pouco. - E ao tentar fazer um leve movimento, sinto dor numa das pernas. - Ai, dói-me a perna. - Digo, colocando a mão sobre a mesma. E vejo-o aproximar-se de mim preocupado.

-Felizmente não é nada de grave e ficará bem dessa entorse ao fim de algum tempo. - Tentou sossegar-me. - Mas se sentir mais dores diga-me e tentarei reforçar a dose da medicação para as dores.

-É suportável. - Digo, tentando parecer forte, e por momentos fico em silêncio, sem saber muito bem como lhe dizer o que a seguir lhe vou pedir. - Preciso de ir à casa de banho. Consegue ajudar-me? - Perguntei, apesar de saber que não era essa a função dele. - Peço desculpa, mas nem sei quem é. Eu sou a Mariana e presumo que seja médico ou enfermeiro, acertei? - Tentei adivinhar.

-Miguel e sim sou o médico de serviço na urgência, esta noite. E sim, podia chamar uma auxiliar, mas eu próprio a levo. - Disse-me prontamente.

-Dr. Miguel...se é por causa do que eu ouvi entre si e a sua amiga, pode ficar descansado...nem sei quem é, não frequento hospitais com frequência...e honestamente, já vivi tanto que já pouco me surpreende. O que é capaz de ser surpreendente é ter um médico a levar-me à casa de banho. - Disse-lhe, começando a erguer-me sozinha.

-Calma Mariana, tem de se erguer devagar e vai apoiar-se em mim. - Diz ele aproximando-se.

-Quem me vestiu esta bata tinha muito mau gosto. Só me deixou as cuecas e tirou-me o soutien e o vestido... - Disse eu, afastando o lençol e a colcha que me cobria. - Dr. Miguel... - Disse eu recordando o nome dele. - Eu vou sozinha, ajude-me só a levantar.

-Nem pensar. - Diz ele e faz-me apoiar nele, erguendo o meu corpo com a força do dele.

-Acho que agora já posso ir. - Digo, mal me aguentando de pé. - Afinal....acho que preciso de ajuda.

-Vamos, a casa de banho é já ali. - Diz ele e, apoiada nele, percorremos uns metros que levaram uns bons minutos. E durante o caminho, senti o perfume dele, uma fragrância que me deixou quase sem fôlego e isso fez-me reparar no homem e não no profissional que me ajudava. Moreno, com barba de um ou dois dias no máximo, olhos escuros...se me encontrasse com ele noutro local, sabia exactamente como terminaria a noite....e naquele momento, mais uma vez a minha mente estava longe, tão longe da realidade. E a realidade é que estava nas urgências do Hospital e tinha o médico a ajudar-me a ir à casa de banho. - É um homem...interessante. Tenho pena de o ter conhecido nestas circunstâncias. - Digo-lhe, elogiando-o, mas com sinceridade.

Ele ficou em silêncio, como qualquer verdadeiro profissional ficaria e ignorou por completo os meus devaneios. Quando chegamos à casa de banho, contrariamente às minhas expectativas, ele entrou comigo e ajudou-me a sentar na sanita.

-Já pode sair. Acho que consigo fazer o resto sozinha Dr. - Disse e comecei a baixar as cuecas, apoiada numa das barras laterais, que habitualmente costumo ver nas casas de banho para pessoas com mobilidade reduzida.

Ele não se moveu, aliás, veio ao meu encontro e ajudou-me a baixar as cuecas, pois desequilibrei-me quando o tentei fazer sozinha.

-Calma. Está tudo bem. - Disse percebendo o meu súbito desequilíbrio. - Eu ajudo. - Disse, descendo-me as cuecas, mas tão suavemente que tive de me sentar de imediato.

-Obrigada. - Digo quando finalmente estou sentada na sanita a fazer xixi.

-De nada. - Respondeu-me. - Estou aqui para ajudar.

E ergui-me pouco depois.

- Dr. posso ver como está o meu corpo, as marcas depois deste acidente? - Perguntei, achando que ia recusar o meu pedido.

Sem dizer uma palavra aproximou-se de mim e afastou-me da sanita, levando-me até ao espelho lateral. Desatou um cordel que tinha no pescoço e ajudou-me a tirar a bata que me cobria o corpo. E estando eu nua, comecei a olhar-me através do espelho e a perceber os vermelhões e arranhões que tinha espalhados aqui e ali. Toquei nas minhas mamas, bem redondas, firmes, e virei-me para ver as nádegas e reparo que o médico está a olhar-me, tentando a custo manter a postura profissional que o tinha levado até ali.

-Se não estivesse tão fraca...não saímos daqui sem foder primeiro. - Disse e depois dei por mim a tapar os lábios.

-Não se preocupe...é da medicação que lhe dei. É demasiado forte e tem alguns efeitos secundários. - Diz ele como se tentasse justificar pelo eu que acabara de lhe dizer.

-Dr. Miguel, está muito enganado...eu sou sempre assim, aliás se me conhecesse bem, saberia que isto é uma amostra do que sou na realidade. - Digo a verdade. - E como sei que não o vou ver mais, é mais fácil.

-Mariana...devíamos voltar...deixe-me ajudá-la com a bata. - Diz ele aproximando-se de mim lentamente. Por momentos senti algum receio naquela aproximação, algo que vi tantas vezes noutros contextos.

-Eu não mordo....só gosto muito....de....de...

-Sim, eu sei... - E quando ia tentar vestir-me a bata reparei na ereção dele.

-Afinal posso morder... - Digo não disfarçando o meu olhar.

-Mariana... - Disse como se estivesse a tentar controlar-se, chamando-me à atenção como se eu fosse uma criança.

-Deixe-me sentar neste banco e baixe as calças da farda, só um pouco. - Peço quase infantilmente, mas sabendo bem o que me apetece.

E ele obedece cegamente, sentando-me num banco de apoio e mostra-me o caralho duro por baixo da farda, deixando-me ser eu a descê-la lentamente.

-Primeira vez? -Pergunto...em relação à situação.

-Óbvio que sim. - Diz-me quase insultado com a pergunta. - Jamais... - E deixa de responder quando os meus lábios tocam no caralho dele e a minha língua o percorre, molhando-o para o começar a chupar. E nesse momento, sinto a mão dele a segurar o meu cabelo, ousando que enfiasse o caralho mais fundo ainda na minha boca, querendo controlar os meus movimentos. Não deixo...travo-o...abrando o ritmo e olho para ele, desafiando-o, e gosto de o ver perdido, perplexo...sem norte.

-Habituado a controlar? - Perguntei enquanto lhe lambia o caralho até aos tomates. - Não comigo...

-Estás tão enganada... - Diz-me ele.

-Dr. não vai medir forças comigo fragilizada e a precisar de cuidados, pois não? - Digo enquanto volto a fazer deslizar o caralho dele, já bem molhado, para dentro da minha boca, fazendo-o gemer.

-Não posso. - Diz, tentando afastar-se de mim, mas o prazer impede-o de prosseguir com os seus intentos da sua razão.

-Pode e vai ficar até se esporrar todo na minha boca....nas minhas mamas... - Digo e o telefone dele toca no bolso da farda. Vejo-o pegar no telefone...e ficar um pouco nervoso.

-Não temos muito tempo Mariana - Diz-me, apesar de o perceber ver rendido a mim.

Ignoro a pressão que sinto e dou-lhe o prazer que o faz esporrar-se todo em mim em segundos...inundando a minha boca de esperma, que deixo propositadamente escorrer pelo corpo, pelas minhas mamas....esfregando-me...endurecendo os mamilos até o fazer secar...deixando aquele cheiro familiar em mim.

-Mariana... - A voz da razão.

-Eu sei, Dr. Miguel é o nosso segredo. - Digo para o sossegar.

E depois de me colocar a bata e me ajudar a sair da casa de banho, fazemos o caminho inverso até à cama onde estava deitada. E só tenho tempo de me deitar, prender o cabelo e pouco depois aparece uma mulher loira.

-Vejo que a paciente está acordada. Como se sente Mariana? - Perguntou-me e reconheço a mesma voz de há pouco. Olho para ele, que se encontra a tentar disfarçar o ar comprometido.

-Aliviada, por não ter sido nada de muito grave.

-A Mariana ia começar a contar-me o acidente para colocarmos no seu processo clínico. - Diz ele, percebendo naquele momento que ficou com as minhas cuecas no bolso. Sorrio, trinco o lábio e começo a relatar o início daquela noite e que terminou comigo no hospital.

-Nem sei bem como começar. Despistei-me...e tive um acidente. - Disse, com vontade de não querer falar sobre o que motivara o acidente.

-Mariana, precisamos de saber o que motivou o acidente. - Diz ela, aproximou-se mais de mim.

-Vi um animal na estrada e tente desviar-me...e só me lembro de vir aqui parar. - Terminei por contar. Para eles bastava esta descrição, mas eu sabia que tinha sido muito mais que isso e o médico ficara a saber que se tratava de algo mais, porque o meu olhar denunciou-me, mas fingiu ignorar.

-Penso que é suficiente para o relatório que precisamos. - Diz ela.

-Sim, faça essas anotações que vou voltar a examinar a paciente e já vou ter consigo. -Diz ele, permanecendo ao meu lado.

-Que aconteceu esta noite e que motivou o despiste de carro? E não me diga que foi um animal pois não acredito.... - Diz ele segurando no meu queixo...de forma dominante...

-Não, não foi isso. Vinha ao telefone com o meu namorado...e discutimos.... - Confessei.

-Quer-me dizer mais alguma coisa sobre isso? - Perguntou ele.

-Sim...quero dizer que ele me viu... - E as palavras não me saiam, por vergonha talvez.

-Mariana... - E a voz inspira-me confiança para revelar o resto e mais ainda quando se senta na beira da cama e me pede que prossiga.

-Estávamos a jantar em casa de uns amigos e ele apanhou-me no quarto com....

-Com um amigo? - Tentou adiantar-se...

-Não, com uma amiga minha, felizmente ninguém percebeu...mas depois....

-Discutiram? E o despiste foi por causa disso? - Tentou encurtar a versão...

-Sim...eu não sei parar...dizer não ao prazer. - Digo e sinto um alívio por finalmente revelar-lhe o meu segredo.

-Mariana, não tens de te sentir assim, nem ninguém tem o direito de te julgar por seres como és. Se ele não está bem com isso, pode prosseguir a vida dele...o mesmo te aconselho a ti, mas não penses que tens um problema pois cada um é como é e nós é que temos de lidar bem com isso. Mas fica tranquila que guardarei esse teu segredo...assim como as tuas cuecas. - Disse, dando indícios de que se ia afastar.

-Percebi que gosta de dominar? Ela é submissa? - Perguntei descaradamente.

-Gosto de controlar sim...- Confessou sem medo. - Mas não dessa forma que tens em mente...

-Hmmm. - Fico curiosa.

-Gostavas de ver? Sem ela perceber? - Perguntou-me desafiadoramente.

-Isso é uma daquelas coisas que a minha religião não permite... - Digo, trincando o lábio. E vejo-o confuso, mas continuo.

-...Não me permite dizer que não...exijo...quero...preciso...

-Eu vou ter com ela e, como aqui não há mais pacientes, vou deixar a cortina aberta para veres, aquilo que te teria feito se não estivesses debilitada como estás.

E derrepente desapareceu, sem antes cumprir a promessa de abrir a cortina para que eu pudesse vê-lo a foder a enfermeira com quem estava a fazer turno naquela noite.

 
 
 

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