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Tea-Time - Parte XIII

Foto do escritor: Eva RibeiroEva Ribeiro

Senti uma liberdade extraordinária enquanto cortava as flores do jardim e imaginava em que

parte da casa ficariam melhor. E vinha toda contente com as flores no braço quando vejo a

mãe a caminhar na minha direcção.

- A sua amiga Matilde está a chegar de Londres e vem passar cá uns dias a casa. Acabei de falar

com a mãe dela e combinei os detalhes todos da sua estadia. Espero ter-te dado uma boa

notícia. – Disse-me a mãe enquanto tentava decifrar a minha expressão.

- Fantástico. Já tinha saudades dela e será uma excelente companhia. – Disse genuinamente

contente com aquela novidade.

- Vou pedir a Sueli que prepare o quarto lá em cima, perto do seu. – Disse voltando-me as

costas, mas dizendo enquanto ia caminhando quase a passo comigo. – Mas que belas flores

que arranjou Carolina. Vão ficar lindíssimas espalhadas pela casa. – Elogiou a mãe.

- Pois, também achei. Vou pedir algumas jarras a Sueli e vou eu própria tratar de as colocar

onde idealizei. – Disse contente com o meu feito.

Já dentro de casa vi a mãe falar com Sueli e esperei que ela terminasse para lhe pedir o que

precisava.

- São lindas menina! – Elogiou Sueli.

- Pois, também achei. Vou começar por aqui. – Disse-lhe referindo-me à sala e posteriormente

ao andar inferior.

- Eu vou tratar do almoço que já lhe adianto que vai ser frango assado com arroz provençal. –

Disse-me respondendo à pergunta que eu anteriormente fizera com outra conotação.

- Hmmm…deve ser muito bom…- Disse-lhe sorrindo. – Foi bom? – Perguntei sem rodeios.

- Foi muito bom, mas ele estava completamente descontrolado. Nunca o vi assim. – Confessou.

- Que pena! Acho que o pior ainda está para vir. – Disse-lhe eu.

- Então porquê menina Carolina? – Perguntou ela.

- A Matilde vem cá passar uns dias a casa e conheço a minha amiga muito bem. – Disse-lhe.

- Eu lembro-me do ano passado. Ela adorava nadar na piscina à noite e numa das vezes…

- Pois e adora apanhar sol ali ao fundo no jardim, onde ninguém vê. …- Acrescentei-lhe.

- Quando é que ela chega? – Perguntou Sueli meia perdida.

- Chega hoje ao final do dia. – Digo eu e pouco tempo depois Artur entra na cozinha.

- Quem chega hoje? – Perguntou Artur, esperando uma resposta.

- A menina Matilde. – Respondeu-lhe Sueli.

- O nome não me diz nada, é sua amiga menina Carolina? – Perguntou ele.

- É sim Artur. É a minha amiga que adora tomar banho à noite na piscina. Lembras-te dela? –

Perguntei perversamente, sabendo perfeitamente o que a minha pergunta ia provocar nele.

- Não, vocês estão a brincar. Só podem.

- Então porquê Artur? – Perguntei eu aproximando-me dele, sem medo.

- Ai menina Carolina, aquele corpo ainda hoje mexe comigo…. – Disse ele um pouco retraído.

- E sabes o que eu acho Artur? Ela não deve vir melhor….

- Pois e eu acho que vou ter muito que fazer na vila nos próximos dias.

- Mas não vais poder Artur, é que o namorado da mãe vem cá passar uns dias e parece que

temos que estar todos por aqui. – Disse-lhe eu.

Ele saiu disparado sem dizer uma palavra e eu saí pouco depois, sem dizer uma palavra sequer,

para começar a ornamentar as jarras com as flores que tinha apanhado no jardim.


 
 
 
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