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Eram já 19h quando eu e Matilde descemos glamourosamente vestidas para o jantar que a mãe tinha organizado para receber um casal amigo. O jantar iria decorrer no salão, mas tinha
quase a certeza que a mãe tinha providenciado servir uns aperitivos no alpendre. As vozes
vinham precisamente dali e ambas fomos ao seu encontro e foram os olhares de todos os
presentes, sem excepção que nos acolheram mal chegamos.
- Cada dia mais bonita Carolina! – Elogiou Elisabete, a amiga da mãe que eu já conhecia desde
pequena. – E Matilde, já não te vejo há uns anos, mas estás uma mulher e com uma elegância
notável.
Ambas agradecemos timidamente e rapidamente cumprimentamos os presentes, deixando
para último os dois rapazes que eu sempre conhecera, mas que se tinham transformado em
dois belos homens: o Guilherme e o Afonso Maria.
- Guilherme e Afonso, lembram-se da minha amiga Matilde? – Perguntei depois de os
cumprimentar e de apreciar o seu look formal.
- Muito prazer Matilde, sou o Guilherme. – Aproximou-se dela a cumprimentar e ao invés de
pegar na mão que Matilde lhe estendeu, deu-lhe um beijo em cada uma das suas faces e que a
deixou logo ruborizada.
- Igualmente lisonjeada em conhecer-te Guilherme. E tu deves ser o Afonso Maria, estou
certa? – Perguntou Matilde tentando a custo camuflar aquela atrapalhação.
- Certíssima. – Acrescentou Afonso Maria, aproximando-se dela e pegando na mão que ela
tinha recolhido, considerando que o irmão iria repetir o mesmo gesto. Mas foi na sua mão que
depositou um ardente beijo e que a deixou, quanto a mim, mais atrapalhada que o primeiro
gesto.
Mas comigo as formalidades não existiam porque nos conhecíamos desde sempre e por isso
não tive receio de lhes dizer:
- Eu só não salto para os vossos braços porque os vossos pais e a minha mãe não iriam achar
nada apropriado, por isso vou cumprimentar-vos à moda antiga. – E dizendo isto aproximei-me
de cada um deles para lhes beijar a face. E foi quando me aproximei de Afonso que ele me
sussurrou discretamente ao ouvido.
- Mais logo….
Sorri perversamente ao afastar-me dele, embora a minha aparente, mas falsa discrição não
tenha passado despercebida nem a Guilherme nem a Matilde que sorriram cumplicemente.
Pouco depois já nos encontrávamos em volta da mesa onde estavam dispostos os aperitivos.
Sobre a toalha clara e rendada, erguiam-se uns castiçais singelos que iluminavam tenuemente
a mesa e lhe conferiam uma elegância que não passava despercebida. As bebidas estavam
numa mesa um pouco mais recuada, mas decorada seguindo as mesmas linhas da anterior e
que se prolongavam numa noutra mesa disposta no mesmo espaço onde estavam colocados o
resto da palamenta.
Afonso veio atrás de mim quando me viu aproximar da mesa das bebidas onde se encontrava
Artur.
- Vou querer vinho tinto. – Pedi a Artur e este com a formalidade que o caracteriza nestes
momentos, pegou no copo adequado e com a elegância de movimentos necessária, serviu-me
e entregou-me o corpo.
- Vou querer o mesmo que a Carolina. – Pediu a Artur.
E depois de nos afastarmos da mesa onde estava Artur, sou surpreendida pelas palavras de
Afonso.
- Quero brindar contigo. – Disse-me ele erguendo o seu copo de vinho e olhando-me
fixamente.
- E a que devo este brinde? – Perguntei tentando intimidá-lo.
- A ti, que continuas uma mulher mais bonita de dia para dia e a mim que continuo a ser capaz
de ver isso e de ver mais. – Disse erguendo o seu copo e chocando com o meu.
- Ahh…então um brinde aos homens observadores e às mulheres que captam a sua atenção. –
Disse eu languidamente, antes de ele me dar o braço para me guiar para o interior da casa,
para onde já algumas pessoas se dirigiam para se encaminharem para o salão.
Coincidentemente ficamos sentados ao lado um do outro, como a mãe tinha planeado e
Matilde sentou-se na extremidade oposta da mesa com Guilherme ao seu lado, ficando a mãe
numa das extremidades e o namorado na outra.
E já depois de todos sentados, Sueli começou a servir o consomê, para depois se retirar para
outros afazeres na cozinha. E quando me preparava para começar a saborear o consomé de
legumes que tinha à minha frente, senti a mão de Afonso tocar-me no vestido. Olhei para ele
com ar reprovador, mas não o consegui demover, pois o seu toque era persistente e achei que
a minha mão o pudesse demover, mas como vi que não consegui, chamei pela mãe.
- Mãe este consomê está delicioso. – E nesse momento Afonso retirou a sua mão da minha
perna e anuiu em sinal de concordância com o meu elogio.
- Obrigada Carolina, a Sueli aprimorou-se. Está divino.
Olhei posteriormente para Matilde, pois queria de alguma forma dizer-lhe o que tinha
sucedido, mas percebi nesse momento que ela estava demasiado ocupada com a sua mão na
direcção de Guilherme, enquanto este saboreava o consomê que Sueli lhe tinha servido.
Não queria acreditar no que os meus olhos viam e que se prolongou o jantar inteiro. Afonso,
por seu lado, estava mais cauteloso pois percebera que havia limites que não podia transpor,
mas não se coibiu em nenhum momento de me provocar.
Já depois sobremesa e depois de alguns copos de vinho, dou por mim a dizer-lhe ao ouvido:
- Toca-me….
- Agora? Mas estamos a terminar o jantar. – E mal terminou a frase quando a mãe anuncia que
vão até ao jardim para tomar o café e posteriormente os digestivos.
E ficamos os quatro no salão, em silêncio, numa tremenda tensão sexual e de olhos bem fixos
uns nos outros e na expectativa sobre o que a seguir sucederia.