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IRREVERSÍVEL



Ele estava ali. Demasiado perto. Demasiado real.

O silêncio entre nós não era vazio — era pesado, denso… carregado de tudo aquilo que evitámos durante demasiado tempo. Cada segundo sem palavras queimava mais do que qualquer toque.

Tentei manter a distância. Tentei respirar com calma. Mas o meu corpo já não me obedecia.

Quando ele deu um passo em frente, senti-o antes mesmo de o ver aproximar-se. A presença dele envolvia-me, como se o ar tivesse mudado… como se tudo à minha volta tivesse sido reduzido àquele momento.

— Não fujas agora… — a voz dele foi quase um sussurro, mas atravessou-me inteira.

E eu… não consegui.

Ele parou a centímetros de mim. Tempo suficiente para o meu coração perder o ritmo… tempo suficiente para eu perceber que já não havia volta.

E depois— O beijo.

Não foi pedido. Não foi apressado. Foi inevitável. Intenso. Profundo. Como se tudo aquilo que nunca dissemos tivesse sido libertado ali, naquele instante suspenso entre razão e desejo. Só depois disso veio o toque… lento, quase cuidadoso — mas já carregado de uma certeza que me fez fechar os olhos porque naquele momento, eu soube: Já não era sobre resistir, era sobre perder-me como sempre quis, estar onde queria estar.


Depois do beijo, já não havia espaço para dúvidas: só para desejo. Senti as mãos dele explorarem-me com uma segurança nova, como se finalmente tivesse decidido parar de lutar contra aquilo que sempre quis. Cada movimento era mais ousado, mais próximo, mais perigoso, proibido até. Fecho os olhos e a minha respiração curta e irregular traiu-me e ele percebeu isso. E foi nesse instante que tudo mudou, quando deixou de ser apenas um jogo de aproximação e afastamento e passou a ser algo inevitável. Agarrei-o, não para o afastar, mas para o puxar ainda mais para mim, como se precisasse disso, como se sempre tivesse precisado sem saber ou, como se tendo sabido o tivesse ignorado. De alguma forma sabia que devia parar, mas o meu corpo não me obedecia e, francamente, já tinha desistido de lutar contra mim própria. Afinal, sempre que o fizera, fora uma luta inglória e em vão. E quando abri os olhos encontrei os dele e percebi que ele viu o mesmo nos meus. Não era só eu que estava a ultrapassar limites, ele também, mas já não havia regresso, nem vontade de encontrar o caminho de volta.


Virada de costas para ele sinto a respiração dele acelerada, exatamente no mesmo compasso que a minha e ao mesmo tempo sinto a mão dele subir ligeiramente o meu vestido, percorrendo com os dedos a minha perna desnuda até alcançar o meio das minhas pernas. E com mestria, sinto os dedos dele afastarem habilmente as minhas cuecas para o lado, um gesto que teve tanto de delicado como de intenso. Tocou-me ao de leve nos meus lábios, percorrendo-os sem pressa, como se tivéssemos o tempo todo do mundo, mas a urgência que sentíamos e o tempo que não tínhamos ditou uma maior intensidade no toque dele e no meu, que se seguiu. Imitei o gesto dele, por cima das calças dele. Subi a minha mão por ele acima até sentir uma ereção nada contida, deixando provocadoramente os meus dedos deslizarem até à ponta, parando lá, demorando-se numa carícia nada contida. 

Ele queria mais, eu queria mais, mas o tempo não nos permitia naquele momento seguir aquele caminho, mas tínhamos ambos a certeza que aquele toque iria ecoar na nossa mente até voltar a ser, de novo, inevitável conter...


Os nossos caminhos voltaram a cruzar-se e aquilo que deveria ser evitável, tornou-se incontornável.

Inevitavelmente o olhar dele cruza o meu e o meu corpo é atraído como um íman para o dele e o dele para o meu, um magnetismo que nenhum dos

dois evita, antes precipita. E os lábios dele voltam a tocar os meus e a selar um beijo breve, intenso e que nunca sei se será o último. Aguardo pelo toque dele e que se materializa quando percorre com um dos dedos o decote que a minha blusa vermelha evidencia propositadamente, realçando o volume das minhas mamas e que ele já tinha percebido, ainda antes de me tocar.


– Deixas-me louco! – Diz algo que eu já sei, mas gosto de ouvir enquanto os dedos dele deslizam para dentro da blusa e acariciam uma das minhas mamas, com uma vontade nada contida,

sentindo ao de leve o mamilo duro que toca ao de leve, deixando-me ainda mais excitada.

- Tinha isto para te dizer…. – E continuo, segura do que quero transmitir, mas perdida nas palavras que vou dizendo, apesar do esforço para manter a linearidade do meu discurso. Ele percebeu claramente o efeito que tinha em mim, mas na verdade também nunca fora minha

intenção esconder isso, na verdade, era a forma que tinha de lhe dizer: não pares.


E ele não parou….


Não tardo a sentir as mãos dele alcançarem as minhas costas, através da blusa, numa carícia subtil, que faz com que os meus olhos se

fechem, por breves instantes até alcançarem o meu rabo, que apalpou sem favor, mas que o tecido da ganga não permitia ir mais longe.

- Já percebi. – Disse-me descontraidamente em relação ao que lhe tinha dito anteriormente e trava o meu raciocínio quando leva a minha mão ao

meio das pernas dele, onde já não é difícil perceber a excitação que ele sente através de uma ereção ainda contida, mas que com o meu toque ganha mais vigor.

- Perfeito! Então, parece que já não há nada a acrescentar. –Digo-lhe.

- Não há? – Pergunta, baralhado pela minha mudança de tom.

- Não. – Respondi, olhando-o nos olhos e vendo os dele fixarem os meus.

Num silêncio cheio de ruído, vejo-o afastar-se lentamente ciente de que tinha sido o último beijo e ambos sabíamos disso.


FIM

 
 
 

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