
O telefone tocou várias vezes naquele dia, mais até que o habitual, mas eu sabia qual era o motivo: tinha feito algumas mudanças no meu website e tinha mudado algumas das minhas fotos, escolhi algumas mais arrojadas e sensuais. Sabia que isso chamaria a atenção dos meus clientes habituais, mas captaria novos. Não podia dizer que estivesse a necessitar de uma agenda mais preenchida, ou de mais clientes, mas estava a precisar de algo novo e que me desafiasse. E já estava farta daquela banal, mas necessária introdução: "Sou a Gabriela e sim, sou acompanhante....posso saber o que procura?" e naturalmente dependendo da resposta eu aceitava o serviço ou não. Habitualmente os meus clientes, todos homens, queriam que os acompanhasse a jantares de negócio e que terminavam no quarto do hotel, mas outras vezes, apenas queriam que os visitasse ao quarto do hotel. Habitualmente para estes últimos e se fossem novos clientes, eu fazia uma série de perguntas que me ajudavam a perceber o que queriam, do que gostavam e apenas depois vestia a máscara que melhor se ajustava ao perfil pretendido. Estava habituada a quase tudo, a todo o tipo de fetiches, a todo o tipo de pedidos, a todo o tipo de desejos e já pouco me surpreendia. Mas naquele dia, contrariamente ao habitual, do outro lado a voz era feminina. - Boa noite, sou a Gabriela, em que posso ajudá-la? - Perguntei e apesar de ter percebido que era uma mulher, mantive o mesmo discurso. - Eu gostava de fazer uma surpresa ao meu marido. - Diz ela e percebi pela forma como falava que era a primeira vez, que seria um desejo partilhado por ambos, mas como era um cliente novo, fiz as perguntas necessárias para obter o maior número de informação. - É a primeira vez, para os dois? - Perguntei. - Sim. Encontrei a sua página, gostei e decidi contactá-la. - Confessou-me. - E onde seria o encontro? - Perguntei. - Honestamente não pensei muito nisso...mas se calhar ir ter connosco ao quarto do hotel. Poderia ser uma possibilidade. Sugere algo diferente? - Perguntou-me. - Não, o que tem em mente parece-me bem, só preciso que me diga em que hotel ficam hospedados e o número do quarto. - Digo objectivamente por ser algo que habitualmente pergunto. - Uma última pergunta, talvez a mais difícil já que é a primeira vez. - E dou um compasso de espera antes de prosseguir. - Algum desejo especial de um e de outro? - Perguntei. - Nem sei bem como dizer-lhe isto. - Percebi alguma hesitação na sua voz. - Cláudia, pode dizer-me...acredite estou mais do que habituada a ouvir os desejos dos meus clientes. - Tentei ajudar a que também me ajudasse a mim. - Temos ambos a mesma fantasia: de estar com uma mulher. Eu gostava de o ver e ele a mim... - E fez uma pausa e que me deu a mim tempo de lhe dizer. - Preciso de um contacto, uma data e uma hora aproximada para poder ir ao vosso encontro. Julgo que viu as condições e a política de privacidade associadas? - Perguntei por se tratar de um cliente novo. - Sim e foi precisamente por isso que também a escolhi, pois prezamos muito a nossa privacidade. - Termina ela por dizer e o resto do telefonema foi para marcar o dia, a hora e o local. 2 semanas depois daquele telefonema, envio a habitual mensagem à cliente a lembrá-la do nosso encontro, pedindo a obrigatória confirmação. Recebi a mensagem dela pouco tempo depois a confirmar-me o encontro. Ainda era cedo, e coincidentemente nesse mesmo dia ainda tinha marcado um encontro a meio da tarde, com um cliente habitual, e ao qual não podia faltar. O pedido era sempre o mesmo, começava com uma bebida no bar do hotel onde estava hospedo e terminava no quarto. Era um empresário bem sucedido, casado e com vários filhos e que apesar de ainda ser novo, estava cansado da vida quotidiana e encontrava em mim um escape, como a maioria deles.

Particularmente no caso dele, ele fazia questão de me trazer sempre um vestido e uma lingerie que queria que eu usasse para ele, um pormenor de exclusividade que fazia questão de manter desde o nosso primeiro encontro. E durante cerca de 2 horas eu era dele e ele entregava-se ao prazer que eu lhe dava...e sim, gostava de mim e por isso voltava sempre que estava aborrecido...entediado ou precisava de inspiração para algum mega projecto em que estava envolvido. - Um dia ainda te rapto e levo-te comigo... - Disse-me nessa tarde. - Hoje ainda ficas? - Perguntei-lhe depois de um banho e de vestir a minha roupa, mas levando, como habitualmente, a prenda dele comigo. - Sim, hoje passo a noite aqui. O dia de amanhã não será fácil e preciso de estar longe de casa. Queres ficar comigo? - Perguntou-me. - Sabes que não posso....não podemos. - Lembrei-lhe. - Sei...sei, mesmo se eu pagasse o triplo. Sim, sei o nosso acordo e assinado por mim. - Lembrou-me o que eu já sabia. - Precisamente e por essa razão, vou cumpri-lo e vou-me embora agora. - Disse e pouco depois bati a porta do quarto. Um acordo assinado para evitar que se apaixonasse por mim. De pouco adiantou, mas ter aquele papel assinado dava-lhe a segurança que ele precisava para saber que jamais cruzaria essa linha e eu muito menos. E eram precisamente 23h quando recebi a mensagem da Cláudia a dizer que estavam a ir para o quarto e que podia ir lá ter com eles.
Comments