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Aquela não seria uma aula tradicional de natação, de hidroginástica ou qualquer outra atividade aquática, seria uma aula de iniciação a novos membros naquele clube de que não se ouvia nunca falar, porque era secreto, tão secreto que eu jamais ouvira alguém falar nele ou conhecer a sua. Um clube secreto, organizado por alguém que eu jamais ia conhecer e frequentado por membros que eu nunca vira, apenas com um propósito: sexo, prazer, nas suas mais variadas formas.
E tudo começou com uma casualidade, a vinda de um amigo, não muito próximo e que passou pela cidade. E, no meio de uma conversa trivial, ele falou-me destes encontros, confessou-me que assumiam muitas formas e decorriam em lugares distintos de cada vez que aconteciam. Fiquei intrigada, curiosa e ele partilhou comigo a mensagem que me permitiria ter acesso ao clube.
"Red 112", vi escrito no visor do meu telemóvel, após ele me ter enviado a mensagem.
Fiquei a olhar para a mensagem que ele me mandou e perguntei-lhe:
- "Red 112". O que é isto? Algum nickname, código de entrada? Vais ter de me contar tudo.. - Disse eu com toda a convicção que sempre me caracterizou.
E nova mensagem chegou, desta vez com um número de telefone. Preparava-me para fazer mais perguntas quando o Ricardo me travou.
- Chiu...fala mais baixo. Eu explico... - Disse ele olhando em redor, como que temendo que alguém nos ouvisse. - Terás de ligar primeiro para esse número e quando te perguntarem pelo nome e pelo código, vais dizer o que te mandei na mensagem anterior. A partir desse momento ficam com o teu número e associado ao nome e ao código.
- Só isso? - Perguntei ainda mais intrigada.
- No dia anterior ao encontro... - Continuou ele. - Vão mandar-te uma mensagem com a morada e o dress code, se houver um.... - Contou, esperando a minha reacção.
- Gosto... - Disse já a tentar imaginar como seria. - Por ser secreto...não ir ninguém que eu conheça, por não saber o que me espera....mas diz-me, tu vais? - Perguntei, sem saber que resposta queria ouvir.
- Antes de te responder preciso de saber se te sentirias à vontade com a minha presença, ou se por outro lado preferias estar sem ninguém conhecido por perto. - Disse, deixando-me a pensar.
- Hmmm...acho que preferia saber qual o teu desejo, afinal tu és mais experiente neste tipo de encontros, eu não....já estiveste e viste muitos rostos, muitos corpos, conhecidos e desconhecidos....o que te apetece Ricardo? - Perguntei, sabendo a resposta que queria ouvir e que ele iria dar.
- Pondo as coisas nesses termos, a minha resposta só pode ser uma: ir. - Disse, precisamente o que eu esperava ouvir.
- E porquê? - Perguntei talvez sabendo também qual seria a resposta também.
- Tenho o mesmo desejo que tu, mas por outro lado, apetece-me cruzar aquele limite....
- Qual limite? - Perguntei já quase sussurrando.
- Saber que és tu, saberes que sou eu...e desejar, desejares....
Fiquei surpresa com a frontalidade dele. Aliás estava à espera que se esquivasse de me dizer, ou que me desse uma resposta ambígua, mas a forma como me disse que me desejava deixou-me um pouco atónita.
- Maria, o encontro é já amanhã. Vens comigo ou preferes ir sozinha? - Perguntou-me.
Por momentos bloqueei. Era demasiada informação para processar.
- Vamos juntos, claro. Vou dar-te a minha morada para me ires buscar. Pode ser? - Perguntei recuperando algum do controlo perdido naquela conversa.
- Antes de qualquer coisa, liga para o número que te dei. Precisas de confirmar a tua ida, pois sem isso não podes entrar. - Aconselhou.
- E tu já fizeste isso? - Perguntei-lhe, já quase esperando a resposta.
- Sim.
- Eu já volto. - Disse-lhe, preparando-me para sair por momentos do café e fazer o telefonema. O Ricardo percebeu e aguardou por mim. E só me lembro de estar a tremer, não de medo, mas a tremer face a algo que ainda não sabia qualificar.
Quando voltei a entrar dentro do café o Ricardo olhava para mim, tentando decifrar-me sem fazer qualquer pergunta.
- Passas em minha casa às 22h amanhã, pode ser? - Perguntei eu.
- Sim claro, mas primeiro tens de me dar a tua morada. - Acenei afirmativamente e quase simultaneamente lhe mandei a morada. - E já sabes o que vestir?
- Sim, vou seguir à risca o dress code e tu?
- Também, por isso irei a condizer contigo. - Respondeu-me.
A conversa entre nós não se alongou muito mais pois a tensão sexual criada por toda a nossa conversa acabou por determinar o seu fim. Despedimo-nos pouco depois, cientes que o dia seguinte seria um dia diferente de todos os outros e com a certeza de outra coisa, iria deixar marcas, não sabíamos bem era quais seriam.
Foi a meio da tarde do dia seguinte que recebi a mensagem a indicar apenas uma morada. Sabia do que se tratava, mas a partir desse momento todos os esforços que tinha feito durante o dia para me manter ocupada e desligada da tensão sexual do que me aguardava caíram por terra. E entre preparativos, banho, roupa, cabelo, adereços, o tempo vai passando. Perto das 22h00 o meu telefone dá sinal de mensagem. Olho o visor e percebo que é o Ricardo a dizer que chegou e me aguarda.
Olho pela última vez ao espelho. Vestido preto acetinado de alças, cravejado de brilhantes e ligeiramente justo no peito, onde o decote proeminente lhe dava o devido destaque, caindo depois sobre o corpo até meio das pernas. Não era um vestido demasiado curto, nem demasiado comprido, mas tinha o tamanho certo para salientar as minhas pernas bem torneadas e bronzeadas pelo sol daquele verão. Um colar singelo com um pendente estava no meu pescoço, terminando um pouco mais abaixo e brincos a condizer. As sandálias, essas eram de salto alto e prateadas, combinando na perfeição com a echarpe acetinada e da mesma cor e com uma pequena carteira onde guardei o mínimo de coisas necessárias para aquela noite: maquilhagem, cartões de identificação e bancário e, claro, preservativos, estes últimos achei que não iriam ser precisos, mas achei que era melhor estar precavida. Quando fechei a carteira e olhei para a minha imagem refletida no espelho, tive a certeza de que esta seria uma viagem sem regresso, mas que a queria fazer.
E ali estava o Ricardo à minha espera, no seu carro desportivo, último modelo provavelmente e que saiu do carro mal me viu aproximar do carro.
- Boa noite Ricardo. - Disse quando ele me alcançou para me abrir a porta do carro.
- Estás tão bonita! - Disse da forma mais simples possível e a única que me poderia impressionar.
- Sempre vieste a condizer comigo. - Disse retribuindo desta forma o elogio que ele lhe tinha dirigido antes.
- Obrigada Maria. - E ao passar por ele senti o perfume dele. Um perfume fresco e que nos prende em segundos, felizmente, o meu nervosismo naquele momento deu-me forças para me concentrar no que se seguiria. E assim prosseguimos rumo a um destino incerto.
Certamente se lhe perguntasse como seriam estes encontros, provavelmente ele iria contar-me, mas eu até nem queria saber, afinal a surpresa de não saber o que me esperava estava a ser o afrodisíaco mais poderoso que tinha experimentado.
Pouco falamos durante o trajeto até ao local, mas percebi que estávamos a chegar pois ele abrandou quando nos aproximamos de um portão. Olhou para mim e perguntou-me, com toda a calma do mundo:
- Tens a certeza?
Eu sabia lá. Sabia lá o que me esperava, só sei que o marasmo em que me encontrava não era suficiente. Precisava de um desafio, de algo que me fizesse sentir, algo mais.
- Sim, tenho. - Disse convicta do que queria.
- Bem-vinda a um mundo novo. - Disse e pouco depois o portão abriu-se.
Fiquei petrificada, quase colada ao assento. Dentro do portão, uma vivenda moderna ocupava a propriedade, com jardins em redor e alguns carros estacionados, mais de uma dezena. E atrás de nós o portão voltara a abrir-se e vi outro carro a entrar.
- Bem, não estamos sós nisto. - Disse-lhe constando algo que era óbvio mas queria dizer tanto ou mais do que eu conseguia.
- Não, não estamos. Prosseguimos?
- Vamos. - Disse eu com a adrenalina a percorrer-me o corpo e a fazer-me sair do carro com a certeza de querer ir e talvez não voltar.
Tocamos à campainha. Pouco depois uma mulher em lingerie abriu-nos a porta e convidou-nos a entrar.
- Boa noite. - Disse ela sedutoramente.
- Boa noite. - Dissemos quase em simultâneo.
- Estejam à vontade. - Disse apontando para o interior da casa, dando-nos permissão para poder percorrer cada recanto livremente.
Nesse momento, instintivamente, procurei a mão dele e entrelacei os meus dedos nos dele. Não sei o que me levou a ter este gesto, mas de alguma forma disse-lhe o que jamais conseguia transmitir-lhe por palavras.
Percorremos toda a casa, encontrando homens e mulheres sensualmente vestidos, nos recantos por onde íamos passando. Reparei no pormenor de toda a iluminação ser em enormes candelabros que iam aparecendo no nosso caminho, dando ao ambiente o glamour e a cor certa.
A dada altura descemos ao andar de baixo e entramos num enorme openspace, com uma piscina, relativamente grande no centro, que me parecia aquecida pelo calor que se sentia naquele espaço e quatro jacuzis em cada um dos cantos da sala. Tal como no andar de cima da casa, a luz das velas predominava, mas desta vez não em candelabros, mas em candeeiros pendurados nas paredes de toda a divisão e havia uma música, não uma música qualquer, uma melodia que nos envolvia e aquecia.
Nesse momento e não sabendo exactamente o que me esperava, comecei a ficar excitada com todo aquele ambiente e mais ainda quando percebi que, lentamente os convidados começaram a reunir-se neste espaço, na expectativa de algo.
- Boa noite a todos. - Ouço e viro-me para trás e percebo que quem falou foi um homem com uma máscara no rosto, diferente de todos os outros que tinham o rosto descoberto. - É um prazer receber-vos em mais um dos nossos encontros e perceber que há rostos familiares e outros novos. - Disse e senti os olhos dele e de outros cravarem-se em mim. Nesse momento o Ricardo apertou a minha mão e segurei-a com a mesma intensidade. - Esta noite teremos um ritual sexual diferente.
- Ricardo. - Sussurrei ao ouvido dele. - Se te disser que estou excitada, acharias normal?
Ele olhou para mim. E devolveu o sussurro:
- Não te convidei por acaso. - Disse-me ele com um ar perverso.
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