SWING CLUB - PARTE I
- Eva Ribeiro
- 30 de mar. de 2021
- 5 min de leitura

Estavas longe e eu sentia-me perdida…era um daqueles cenários que são altamente inflamáveis e aos quais apenas consigo responder de uma forma… Deixei-te uma mensagem no voicemail do telefone. Algo simples, mas sei que tu entenderias perfeitamente. - Só para te dizer que te amo. Vou dar um passeio e volto já. – Sei que as minhas palavras iriam ser entendidas…não pelo disse, mas sobretudo pelo que não disse. Sabias que estava só e tinha de procurar algo para me distrair. Sei que irias ouvir a minha mensagem e ficarias a saber exactamente o tipo de alimento que eu ia em busca, mas certamente quando a ouvisses já eu estaria certamente na nossa casa e a dormir. E foi assim que saí nessa noite, vestido solto, sem costas, prateado, com um cordel preso ao pescoço e sandálias pretas. Cabelo preso num exuberante rabo de cabalo e os brincos, até nesse pormenor tinha pensado, eram pretos e pendiam, precisamente a condizer com a carteira e com as sandálias. Quanto à roupa interior…a verdade é que poderia ter escolhido algo, entre as muitas e diversas peças que tinha, mas honestamente não escolhi nada… Entrei no meu novo carro que me tinhas oferecido, um desportivo, de cor preta e que tinha exactamente a minha medida. E agora para onde ir? Pensei ainda na garagem antes de tirar o carro, mas rapidamente me decidi. Depois do confinamento ter terminado, ainda não tínhamos voltado a ir ao clube de swing, não por falta de oportunidade, mas por termos tido outras coisas para fazer. Ainda na autoestrada, fiz um ou dois telefonemas, pois queria saber quem me aguardaria quando chegasse. Demorei cerca de meia hora a chegar ao destino e estacionei no mesmo lugar de sempre. A noite estava quente e por isso nem sequer peguei no casaco que tinha trazido, tendo-o deixado, propositadamente, no banco traseiro. E enquanto guardava a chaves do carro e colocava o telefone em modo “vibração”, ele veio ao meu encontro com a elegância que lhe reconhecia sempre e um sorriso perverso que se destacava de qualquer outro. - Hoje vens sozinha? – Perguntou-me estranhando a tua ausência. - Sim, ele está fora e eu estava aborrecida em casa. – Confessei sem grande pudor. - Acho que fizeste uma boa escolha. E disseste-lhe que vinhas? – Perguntou-me cirurgicamente. - Sim, sabe sempre. – Respondi prontamente, porque apesar de ainda não o saberes mesmo depois de ouvires a minha mensagem, iria contar-te quando chegasses a casa. E entramos dentro de um espaço que já me era familiar. Ele foi-me dizendo quem poderia encontrar e depois fez-me a pergunta habitual. - Algum desejo específico? – Perguntou-me, nunca conseguindo prever o que eu queria. - Logo decido…mas primeiro vou beber algo. Dás-me o prazer da tua companhia? – Perguntei dando-lhe o braço e que ele, de forma cavalheira me deixou entrelaçar o braço. Tenho noção dos olhares em nós…em mim, nele e isso enche-me o ego. Pedimos cada um o habitual, martini tónico e ele whisky. E enquanto saboreava a minha bebida, ele pergunta-me: - Vamos até lá dentro…só eu e tu…pois, quase nunca vens só. – Convidou-me, a medo, e eu sabia exactamente o que ele queria. - Não…deixo-te assistir, mas não me tocas. – Digo entre sorrisos. - Ele não irá saber… - Diz ele tentando convencer-me a sucumbir ao pecado. - Sabe, sabe sempre…porque lhe conto enquanto fodemos. Tudo ou nada…sempre foi e sempre será. – Digo e ele aceita. - E qual é a tua ideia my lady? – Perguntou-me ele, usando o nome pelo qual tu costumas chamar-me. - Não voltes a chamar-me isso…para ti serei sempre a Inês. Estamos de acordo? – Perguntei, chegando-me a ele. - Desculpa…não foi com intenção. – Mentiu. - Foi e eu adoro-te por isso, mas só ele me chama assim…aliás só ele tem o poder de me chamar o que quiser…de me fazer o que quiser…porque lhe pertenço. – Digo ciente da verdade. - Honestamente, não entendo o que fazes aqui hoje. – Diz ele e desta vez diz com sinceridade. E aproximo-me mais dele, e desaperto um dos botões da camisa branca e o perfume dele, distinto do teu, entranha-se nas minhas narinas, apodera-se de mim. - Tu não tens que saber, perceber ou entender nada…se quiseres podes ver…e eu hoje quero uma ou duas… - E levantei os olhos na direção dele. - Sabes o esforço que estou a fazer para não te beijar aqui? – Disse-me ele, pousando uma das mãos nas minhas costas nuas. - E se te disser que nem roupa interior trouxe, escolhes comigo as duas? – Perguntei-lhe, provocando-o mais. - Escolho…. – E derrepente aproximas-te mais de mim. – Sem roupa interior? Fodasss……… - E vejo-o perdido. - Ora bem. – Digo e volto-me de costas para o balcão e de frente para a sala, por onde percorro o meu olhar em busca de outro olhar, outras formas que me captem a atenção. – Estás comigo ou tenho que chamar o outro amigo? – Perguntei, claramente para o enfurecer. E vejo-o voltar-se e colocar-se na mesma posição que eu, de costas para o balcão, e a reparar nas minhas formas, nos bicos das mamas que sobressaem pelo tecido fino do vestido. - Vais ficar a olhar para as minhas mamas ou começamos? – Perguntei decidida. - Nunca conheci ninguém com este temperamento……. – Diz e julgo que pensou em voz alta, mas eu ouvi-o bem, apesar de a música já estar bastante alta… - Vamos? – Perguntei-te. - Duas? É isso? – Perguntou-me para confirmar. - Uma, duas ou três…deixa ver o que me/te apetece, pode ser? – Acabei por dar-lhe algum protagonismo. - Eu também escolho…foi isso que eu ouvi? – Perguntou-me meio confuso. - Sim…escolhes comigo, aliás tu conheces a maioria das histórias e gostos e isso vai-me ser útil para não perder tempo com quem fode mal. – Digo enquanto puxo a mão dele e a entrelaço na minha. - Vou perder a minha reputação por tua causa. – Confessa. - É por isso que estás assim? Nessa tensão toda? – Perguntei-lhe. - Também… - Disse-me. - E o que te faria ser visto como um Deus? – Pergunto-lhe, deixando-o sem palavras. - Não te vou tocar… - Diz-me ele, dando-me a resposta que eu adivinhava. Eu era o troféu que ele precisava. - Sabes o que tu tens que mais nenhum homem aqui tem e te devia bastar? A minha amizade…a minha vontade de te querer perto quando estou a ter prazer. Isso faz de ti diferente de todos eles. Não percebes o que já és? – Perguntei-lhe, deixando-o perplexo. E não tardou a fazer-me uma descrição pormenorizada de cada mulher…o que gostavam, como gostavam, o que queriam, o que as movia a estarem ali…e foi quando encontramos uma mulher que estava ali pela primeira vez, acompanhada do marido e eu gostei dela. Segredei-te algo ao ouvido e tu aproximas-te deles e pouco depois ela vem com ele. - Ele apenas fica de longe a assistir, foi o compromisso que assumi com eles, dado ser a primeira vez. – Disse-me ele. Apresentei-me e aproximei-me dela, cumprimentando-a com um beijo na boca. Pareceu-me um pouco intimidada com o meu gesto, mas respondeu ao meu beijo. - Esta vai…a próxima? – E pouco depois seguimos noutra direção e uma mulher ruiva captou a minha atenção. - Aquela…é uma boa surpresa. – Diz-me ele. - Já foderam? – Perguntei-lhe. - Não…procura mulheres...só mulheres. – Diz ele. - Então interessa-me…vais tu ter com ela ou devo ir eu? – Perguntei. - É melhor ires tu. E antes dele terminar a frase, caminho até ela, fixando o meu olhar naquele que já encontrou o meu. Não foi preciso muito para a convencer a vir comigo e pouco depois, entramos na zona privada do clube…
Comentários