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- Tenho uma surpresa para ti. – Dizes-me do outro lado da linha do telefone.
Quando ouço estas palavras sinto-me de novo uma criança, as emoções ficam todas ao rubro, mas como sou mulher são outro tipo de emoções que afloram. Tento manter, a calma aparente, embora a respiração teime em descontrolar e digo simplesmente:
- Surpresa? Para mim? Não há engano? – Torno ainda mais difícil a tua tarefa de dar…de me dar.
- Sim. Vamos jantar fora…quero levar-te a um local muito especial para mim. – Dizes e ainda me deixas mais nervosa.
- Sério e a que devo este prazer? – Pergunto curiosa.
- Estou aí pelas 20h00. – Dizes e estavas prestes a desligar quando me ouves perguntar.
- O que devo vestir? – Pergunto tentando perceber se devo optar por um estilo mais casual ou formal, ousado ou discreto.
- Sê tu… - E desligas o telefone deixando-me com vontade de o trincar.
Sabias o efeito das tuas palavras, não só por saberes que adorava surpresas, mas também por saber que as nossas ausências, juntamente com os nossos encontros e desencontros ainda intensificavam o que me dizias. Sabias-me bem demais e sabias exactamente o efeito que provocavas em mim.
À hora marcada anunciaste-te com a mais simples mensagem, mas que me fez tremer:
“ Estou á tua espera cá fora.”
Desci ao teu encontro. Salto alto a combinar com um vestido curto com um casaco de malha a contrastar, mas que bastava uma pequena aragem que revelaria um pouco das meias de liga e da lingerie. Não fazia ideia qual era o teu carro…nunca liguei a carros e nunca falamos sobre isso até hoje, mas o buzinar do carro fez-me perceber onde te encontravas e fui ao teu encontro. Entrei, sentei-me e pedi-te:
- Anda 1km exactamente e para.
- Boa noite para ti também. – Dizes sem perceber porque te peço isto.
Pões o contador a marcar e aceleras um pouco chateado por te dizer o que fazer e pior, por nem um beijo te dar…eu sabia…e doía….
Estacionas 1km à frente e paras abruptamente.
Sem pedir licença…acomodo-me em cima de ti e beijo os teus lábios…….e tu rendes-te. Percebes finalmente o porquê do meu pedido.
- Fodassss Isabel, que merda é esta? – Perguntas-me entre o furioso e atordoado pela mudança de forma de estar.
- Boa noite amor…. - E volto a procurar os teus lábios…. – Desculpa, mas não podia ser à porta de casa. Tive tantas saudades tuas. – E sinto o teu abraço envolver-me….apertar-me, como que para me devolver o que preciso, o que perdi….mas lembrar-me, acima de tudo o que tenho…o que temos… - Estou desculpada?
- Nunca te culpei. Vamos senão fazes-me perder ainda mais o controlo e lá se vai o jantar.
E voltei ao meu lugar…e fomos conversando até chegarmos ao parque de estacionamento do restaurante. Confesso que estive mais atenta a ti, à nossa conversa do que ao GPS e por isso estava incapaz de me localizar. Saímos do carro e caminhamos os dois de mão dada, coisa rara, aliás coisa que nunca tinha antes acontecido.
Mal entramos, indicaram-nos logo uma mesa perto da janela, de frente para o mar.
- Antes de pedirmos as entradas eu gostava de te fazer um pedido. – Dizes com um ar muito sério, mas com um misto de perversão.
- Pedido? Hmmm. Que me queres pedir cabrão? – O nosso registo nunca muda, apesar de ser o amor que nos liga sempre.
- Tira as cuecas e dá-mas. – Disseste com o ar mais tranquilo do mundo, como se fosse o pedido mais vulgar.
Entretanto o empregado aproxima-se de nós e pergunta se já escolhemos. E eu adianto-me:
- Antes de pedirmos, será que nos pode mostrar a carta das bebidas? – Pedi e ele rapidamente se afastou de nós e tentei a custo recompor-me.
- Puta, tira-as e dá-mas.
- Posso ir à casa de banho? – Pergunto, sabendo que nem sequer equacionas essa solução fácil.
- Não, quero que sejas puta à minha frente.
- Cabrão… - E quando o empregado chega com a lista e nos entrega, aproveito esse momento para, sem grande dificuldade me libertar das cuecas, as apanhar do chão de seguida e as guardar na minha mão. – Quero um Martini…e tu? – Digo depois de te dar as cuecas para guardares e te deixar fazer a tua escolha.
- Um gin bombay saphire. – Pedes e nesse momento controlo a vontade de te puxar para a casa de banho mais próxima.
O empregado afastou-se, ligeiramente constrangido pela tensão sexual…e pouco depois estendes-me uma caixa…em cima da mesa.
- Não faças perguntas…abre…e usa…e dá-me o comando. – Pedes de uma forma que naquele momento sou capaz de te dar tudo.
E naquele momento levanto-me e vou à casa de banho, deixando o comando em cima da mesa.
Quando regresso, já com o vibrador dentro de mim…vejo que as bebidas já se encontram sobre a mesa e o comando desapareceu.
- E agora? – pergunto eu.
- Agora vamos brindar…. – Dizes e sinto a primeira vibração dentro de mim…e tento controlar um gemido.
- E brindamos a quê? – Pergunto a custo, quase prevendo a resposta.
- Podia dizer-te um cliché…mas neste momento quero brindar ao teu orgasmo que não vai tardar. – Dizes aumentando a potência da vibração.
- Ao cliché eu brindo: ao amor… - Digo fixando o teu olhar. – Mas ao orgasmo, sim é certo que vou ter um aqui, sabes isso não sabes?
- Será garantidamente mais do que um… - Dizes e saboreias a bebida como se fosse a coisa mais banal do mundo.
FIM
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