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Já não nos víamos há alguns anos, mas o Afonso continuava igual: figura atlética, olhar penetrante e um sex appeal que me deixou sempre com vontade de mais, embora sem ter a ousadia de o permitir ou ceder a esse impulso. Estranhamente, ligou-me numa tarde solarenga de setembro e, depois de quebrado aquele gelo inicial, ao telefone, convidou-me para beber um copo. Aceitei, sem pensar duas vezes, e fui metade do caminho a pensar que devia ter-lhe dito que não.....mas já estava a caminho e eu não conhecia a placa de sentido proibido.
Cabelo amarrado com alguns fios de cabelo arruivados desalinhadamente a penderem sobre o rosto, um jeans, um top largo sem alças, umas sandálias de salto alto e saí de casa. Estilo simples, mas não necessariamente discreto. Combinamos encontrar-nos no bar onde habitualmente nos encontrávamos com o restante grupo de amigos, com a diferença de que desta vez seria apenas eu e ele.
Estacionei o carro e percorri lentamente a calçada, dando por mim a olhar para a blusa, de cor clara que escolhera para vestir, e a subi-la um pouco mais, pois teimava em descer com facilidade. Já muito próximo do bar vejo-o a olhar para mim e sorrir.
- Olá Mafalda. – Cumprimenta-me com o habitual beijo na face.
- Olá Afonso. – Devolvo o cumprimento. – A que devo este convite assim…assim tão inesperado? – Perguntei quando me fez sinal para entrar, colocando a mão dele a amparar a minha cintura. Não me respondeu logo e fomos entrando no bar.
- Inesperado o meu convite? Não…sempre nos demos bem, ficamos amigos apesar de eu ter ido para Madrid. – Respondeu-me, sem me dizer tudo, afinal tínhamos mais amigos e eu era a única que ali estava.
- Pedimos algo? – Perguntei quando vi o empregado aproximar-se da mesa.
- Eu bebo um gin e tu? – Perguntou ele, depois de olhar para a carta.
- Quero o mesmo, mas quero o de maçã caramelizada e canela. – Pedi e o empregado retirou-se da nossa mesa.
Fala-me de ti. – Pediu ele, sem grandes reticências e como se efectivamente não tivessem passado cinco anos desde a última vez que nos vimos….naquele mesmo bar, ele com uma amiga e eu com o meu namorado da altura.
- Nem sei que te dizer. Mudei de emprego pouco depois de teres ido para Madrid. Agora trabalho numa editora norte americana, com filial aqui e estou a fazer o que sempre quis: escrever. E tu deixaste o teu trabalho em Madrid e vieste de férias?
- Não, continuo a trabalhar para eles, mas como abriram aqui outro departamento, estou a representar a marca em Portugal, precisamente aqui no Porto. Por isso mudei-me para cá de novo. Mas e o Miguel? Já não estão juntos? – Perguntou, mudando de tema.
- Ainda te lembras do nome dele? Sabes bem que foi uma aventura passageira…tal como tu com aquela amiga com quem estavas na última noite em que te vi. – Disse-lhe, mostrando que também eu me lembrava.
- Uma amizade colorida nada mais que isso….e não mudei o registo desde essa altura em relação a mulheres. – Confessou-me. – E tu estás com alguém neste momento? – Perguntou-me sem rodeios.
- Não, nesse aspecto somos muito parecidos. – Respondi-lhe.
E as bebidas chegaram. Fizemos um brinde e a conversa fluiu naturalmente. E quando nos demos conta, já a noite ia avançando e a conversa também. A dada altura olho para o relógio e perguntei-lhe:
- Vamos indo? Eu não posso beber mais… - Digo, sorrindo.
- Vamos, mas com uma condição. – Diz-me ele, obrigando-me a suster a respiração por frações de segundo.
- Condição? – Pergunto surpreendida. – Não gosto de condições, sobretudo impostas previamente…
- Vem dormir lá casa. – Disse, sem receio. – Assim ficas a conhecer a minha casa e…
- Sabes bem que posso ir ter contigo noutra altura, não sabes? – Perguntei eu depois de já estarmos fora do bar e com ele já mais próximo de mim e com a mão dele a deslizar pelo meu ombro.
- Sei e tu também sabes que a casa é um mero pretexto… - E não terminou a frase, não era preciso.
Para foder, pensei, mas naturalmente não disse…mas a vontade de estar com ele era mais forte.
E pouco depois seguimos, cada um no seu carro e não tardou a chegarmos a casa dele. Pousei a carteira e caminhei despreocupadamente pelo estúdio, admirando a singularidade do mesmo e de alguns pormenores decorativos.
- Gosto muito. – Confessei percorrendo-o. - Sempre tiveste bom gosto. – Elogiei, tirando as sandálias dos pés e caminhando na direção dele.
E nisto puxou-me para ele e beijou os meus lábios pela primeira vez.
- Sabes a caramelo e canela. – Diz, saboreando-me lentamente, passando a língua ao de leve por eles.
- E tu sabes a pecado com salpicos de gin. – Digo, enrolando a minha língua na dele, lenta, mas perigosamente.
E lentamente as mãos dele tocam o meu pescoço, acariciando-o demoradamente, até descerem pelo meu peito. Inicialmente o toque dele foi por cima da minha blusa sem alças, contornando e desenhando as minhas formas para depois, segurando o meu queixo obrigar-me a olhá-lo nos olhos. Quis ver a minha reação ao toque dele, primeiro por cima do fino tecido e depois, observar o meu prazer quando os dedos dele tocaram finalmente a minha pele, pela primeira vez. Não desviei o olhar, mas trinquei o lábio, suspirei e deixei-o continuar naquela carícia que me aguçava ainda mais os sentidos. E lentamente, foi descendo ainda mais a blusa…para voltar a redesenhar cada forma…cada traço meu…até os meus mamilos endurecerem…
E nesse momento travei-o, para surpresa dele, começando a desapertar-lhe as calças, já sentindo o caralho dele bem duro ao meu toque. Baixo-me ligeiramente e desço-lhe as calças, os boxers e depois olho para cima, perversamente…fazendo o compasso espera certo para que o desejo aumentasse. Trinco o lábio e depois começo a lamber o caralho dele, de baixo para cima, demoradamente, molhando-o…deixando um rasto com a minha saliva e antes de chegar à ponta, que adivinhava molhada…olho de novo para ele e só depois, deixo os meus lábios aproximarem-se da ponta do caralho, para o lamber delicadamente até o fazer deslizar com a ajuda de uma das minhas mãos para dentro da minha boca. E repeti o gesto, sem pressa, deixando-o ainda mais descontrolado, perdido.
E nisto ouve-se a campainha da porta.
- Esperas alguém? – Perguntei-lhe surpresa.
- Não propriamente. Se calhar o Rafael baralhou o dia. – Disse, subindo as calças enquanto eu puxava a minha blusa para cima.
E era mesmo o amigo. Convidou-o a entrar e viu-o surpreso a olhar para mim.
- Não sabia que estavas acompanhado…queres que venha noutro dia? – Perguntou o amigo quando me viu sentada no sofá.
Olhei para o Afonso, nesse momento, e ele para mim…e estranhamente sem nenhum dos dois dizer nada, a presença do amigo pareceu-nos uma boa ideia.
- Rafael, certo? – Perguntei-lhe. – Sou a Mafalda, uma amiga de alguns anos do Afonso.
- Uma amiga…. – Brincou ele. – E depois aproximou-se de mim e deu-me dois beijos no rosto. – Encantando. – Disse ele sorrindo perversamente. – Interrompi algo? – Perguntou ele, percebendo alguma tensão no ar.
E nesse momento o Afonso aproxima-se de mim no sofá e sussurra-me o inevitável:
- Queres que ele nos veja? – Perguntou-me, querendo perceber os meus limites.
- Sim, adoro ser observada, mas vamos vendá-lo. Quero que ele ouça…até não se conseguir controlar mais e….
- Mafalda….
- Afonso…estás com medo? – Perguntei.
- Não dele…de ti…
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