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O PRIMEIRO FIM DE SEMANA - PARTE II

Foto do escritor: Eva RibeiroEva Ribeiro


Depois de te dizer isto, levantei-me e fui ao encontro da Pauline, sem te dizer uma palavra sequer. Ficaste a ver-me afastar de ti, mas nada fizeste para me deter.

Disse-lhe algo que iria garantir que a noite fosse perfeita e transmiti-lhe o que pretendia. Sentado, na poltrona em frente à lareila, olhavas para nós e o que vias era o que eu já tinha antes vislumbrado...um mexer no cabelo, um compor uma blusa já composta um trincar o lábio e depois, viste-me um aproximar-me dela e sussurar-lhe...ao ouvido....e viste-a sorrir.

Quando voltei a ti, nada te disse, mantendo a mesma postura que tu.....aguardando a tua investida e que sabia que não tardaria....e não me enganei.

- Estou esfomeada. Foste um querido em lembrar-te de pedir estes petiscos. - Digo tentando desviar a tua atenção.

- Rita.... - O meu nome, que quando é dito desta forma me faz estremecer.

Devolvo-te com a mesma intensidade:

- Sim, David....

- O que estiveram a conversar? - Perguntas sem reservas, querendo saber tudo....o que disse, o que não disse.....queres tudo.

- Ali? Nada de especial...porque perguntas? - E provo uma e outra iguaria e bebo mais um gole de vinho, deixando-te quase furioso.

- Puta....sabes que eu também sei ler a linguagem corporal, não sabes?

- Sério? - Pergunto eu fingindo supresa e completamente vidrada no que que vou saboreando.

- Conta.....- Um pedido que é mais uma ordem.

- Só te posso dizer que iremos ter uma excelente tertúlia literária mais logo. - Digo tentando dissimular um falso interesse.

- Conta...- Pedes de dentes já serrados e a segurar a minha mão, implorando saber mais....

- Pois bem, vamos ler ambos para ela.....

- Tu queres dizer vamos ambos foder com ela, verdade? - Perguntas sabendo precisamente o que eu quis dizer, com o ler para ela....

- Ora bem amor...ela sai às 22h e ainda é cedo...temos muito tempo para...pensar se devo ou não dizer-lhe que não.....

- Eu não vou sobreviver a esta noite.... - Dizes e pela primeira vez sinto o que me queres dizer.

- Vais e eu estarei ao teu lado....e o que é sentido, faz sentido, certo?- Devolvo-te aquela célebre pergunta que me fazes e dizes a todo o momento quando me perco em mim....em ti, em nós....

- Só tu para libertares o pior e o melhor de mim....de me fazeres amar e desejar sem medo...querer sem sentir culpa....sabes o que é isto, não sabes Rita?

- Sei, David....é amor...é aquela necessidade de subir mais um degrau....de querer mais....e de perceber que até lá há algumas provas que tem de ser ultrapassadas...por mim e por ti....e sabes, tão bem como eu, que é isso que nos liga. E sabemos mais, que há esse limite e que não podemos cruzar, mas só o fazemos...por amor um ao outro.

- Mas diz-me, o que lhe sussurraste ao ouvido? - Perguntas-me, mais calmo.

- Nada de especial....queres que te diga? - Pergunto-te e não espero pela tua resposta. -Disse-lhe tão somente que vais ler para ela...e que eu adoro ouvir-te ler enquanto vês uma mulher nua ao teu lado....

- Tu....disseste isso à Pauline? - Perguntas já excitado com a ideia.

- Sim...disse e ela sorriu e disse-me algo mais....

- Diz-me... - Pedes e eu já vendo o teu caralho endurecido por detrás das calças de ganga.

- Que queres saber? - Pergunto-te objectivamente.

- Tudo...quero saber tudo o que isso implica, o que quer dizer..... - Dizes por fim

- Ora bem.....quer-te ouvir ler....e.....despe-se.....para nós.....

- Rita...

- Sim, David?

- Ela quer ouvir-me ler? - Perguntaste sem querer acreditar....

- Quer....mas ela quer mais....e literarialmente falando....vai querer muito mais....e tu queres ou não? - Pergunto ambiguamente, algo que quero saber concretamente.

- Fodasssss....

- Brindamos a isso?

- Se brindamos? Eu não quero isto a partir de hoje Rita, quero mais....quero dividir a minha cama contigo...ser os teus olhos, os últimos a ver antes de os meus se fecharem...quero pôr a roupa a secar e tirar a roupa da máquina......quero.... - E nesse momento coloco o meu dedo sobre os teus lábios.

- Shhhhh.... - No último dia, falamos disso....agora vem o prazer. - E ergo o meu copo na tua direção e tu ficas, meio perdido, meio sem jeito e sabendo que naquele momento não há retorno.....e tu dizes-me algo que eu já sei:

- Sabes que te amo e que vou dizer sim a esta loucura toda? - Dizes....

- A loucura aqui? Sim...sei que vais dizer sim.....o depois.....logo veremos quão louco és e eu sou para conseguir ser loucos a esse ponto....e sim, um brinde a isso: ao que queremos...

E brindamos, sabendo perfeitamente o que nos liga, o que queremos, o que procuramos, o que desejamos....mas o que podemos....mas mesmo assim, sabemos que este fim de semana será o fim de semana, talvez o primeiro de muitos ou o último....mas vivemos como se não houvesse amanhã porque sentimos....este amor.....e são 21h00 e o tic tac para as 22h começa a ecoar em ti e em mim....

- Trouxeste o teu livro?

- Sim.... - Digo.

- Eu tu, trouxeste o teu? - Pergunto.

- Sim....

- Então será uma noite inesquecível.....................

Ainda ficamos algum tempo a conversar perto da lareira e a saborear aqueles petiscos, que ganhavam um sabor ainda mais intenso à medida que o relógio avançava.

Pouco depois e, sem pressa, subimos até ao quarto que nos fora destinado e fomos entrando, como que se por detrás daquela porta estivesse todo um mundo todo e que queríamos descobrir, lenta mas vorazmente.

A primeira coisa que fiz foi pousar a minha mala e ir até à janela…e seguiste-me até lá…

- Acho que não me vou atrever a abrir, pois está frio e o quarto está quente….e eu acho que o vou pôr ainda mais quente? Que me dizes? – Perguntei e nesse momento olho para ti e vejo-te fixo em mim. Tremo com o teu olhar.

- Digo-te… - E torturas-me um pouco mais. – …que me parece ser uma óptima ideia. E aproximas-te mais de mim, invades o espaço que não permito que ninguém cruze e ficas a olhar de novo para mim. E os meus olhos fecham-se para sentir os teus lábios tocarem os meus…num beijo que me inebria todos os sentidos. Agarras-me…pois sabes as minhas fraquezas e, ainda bem perto de mim, sussurras: - És a mulher da minha vida. Deixa-me amar-te….ama-me…. – E agarro-me a ti, num abraço tão nosso….pois não te vou largar nunca…não posso, não quero e não consigo.

E do nada…olho para o teu relógio…

- David…vou só retocar a maquilhagem…colocar um vestido….que dizes? – Digo um pouco insegura.

- Para mim estás perfeita, como sempre, mas se quiseres mudar-te, ainda tens alguns minutos antes da Pauline chegar. – Dizes perversamente, o que me deixa ainda mais excitada.

E rapidamente o meu look casual muda para um mais ousado e que tu já conheces tão bem.

Sento-me na poltrona do quarto e tu ficas sentado na ponta da cama, a olhar para mim:

- Quem vai começar a ler? Tu ou eu? – Pergunto enquanto folheio as páginas do meu livro e te vejo a devorar-me com o olhar….

- Começo eu… - Dizes tu prontamente.

- Já escolheste o que vais ler? – Pergunto-te apesar de saber que a resposta é afirmativa.

- Sim… “Sabes(me)…bem”…..

- Sim, sei….e queres descobrir comigo o sabor dela cabrão? – Pergunto-te já em modo predadora.

- Eu vou para onde fores….exploro tudo o que tu quiseres explorar……….. – Dizes e o meu coração para porque falas-me de amor, misturas tudo e devolves-me em dobro.

Nisto ouve-se um toque na porta. Eu levanto-me para lhe abrir a porta e vejo-te ocupar o lugar que anteriormente eu ocupei…

- Olá Pauline…. – Digo reparando que a farda que tinha anteriormente, deu lugar a um casaco vermelho, um vestido curto preto…com um decote bem generoso justo e a umas botas de salto alto. E a nossa convidada entra no quarto, mas fica timidamente parada a meio do caminho entre ti e eu.

Levantas-te para a cumprimentares.

- Olá Pauline. Será um prazer ter-te na nossa companhia. Serei eu a começar a ler, parece-te bem? – Perguntas-lhe dando-lhe um falso poder.

- Olá David…. – Cumprimenta-te ela quando te aproximas para lhe dar um beijo na face. – Sim, parece-me bem assim.

E voltaste a sentar-te…e eu fiz questão de a ajudar a despir o casaco para ela ficar mais confortável. Reduzi a luz um pouco para tornar o ambiente mais quente e depois sentamo-nos em frente a ti, na beira da cama, aguardando as tuas palavras.

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