- Última chamada para o voo PT447 com destino a Barcelona. – Ouço uma voz feminina dizer através dos altifalantes do aeroporto do Porto. - Podia bem ser o meu voo. – Digo eu em voz baixa, lamentando o atraso de trinta minutos que o meu voo já tinha. - Para onde vais? – Ouço uma voz masculina perguntar-me. Olho para o homem que me falou e por momentos dou por mim a reparar nem sequer me ter apercebido que alguém estava ao meu lado, muito menos alguém que desviaria a minha atenção em qualquer local.
Inicialmente fiquei sem reacção, mas depois os olhos amendoados daquele homem moreno impulsionaram a minha resposta. - Para Itália. – Por momentos não me apeteceu dizer sequer para que cidade ia, achei por bem ser mais generalista. - Em trabalho ou lazer? – Perguntou ele encontrando ali uma forma de me olhar de cima a baixo, justificando assim a pergunta que fizera. - Trabalho. – Respondi num tom monocórdico, mas depois acabei por me arrepender de lhe ter respondido daquela forma. – Sou designer de moda e vou ver como ficaram os últimos desenhos da minha colecção. - Tens um trabalho bem interessante. – Elogiou ele. - Sim, não me posso queixar. Sou uma apaixonada pelo que faço e nem me imagino a fazer outra coisa. - Posso convidar-te para um café? – Perguntou ele repentinamente. - Agora? Mas mais 30 minutos e embarco. – Respondi-lhe com sinceridade. - Não dói e eu gosto da tua companhia. Corei com aquele súbito elogio. Dei por mim a pensar algumas vezes se deveria ou não ter sequer iniciado aquela conversa e se tomar um café seria o melhor caminho. - Ok, vamos lá. Afinal ainda tenho uns minutos. – Digo e acompanho-o pelos corredores cheios de lojas e paramos num dos primeiros cafés que encontramos.
Segui-o até uma mesa e dei por mim a sentar-me com ele na mesa mais ao fundo do café. Não disse nada e quando a empregada chegou ambos pedimos um café e deixei que ela se afastasse para lhe perguntar o inevitável. - Escolheste a mesa mais longe por alguma razão? – Perguntei sem saber muito bem como ele iria responder-me àquela pergunta. - Não tens a menor ideia mesmo? – Perguntou-me ele e aquele tom de voz fez-me afastar um pouco da cadeira onde me sentara. - Honestamente não. Podíamos perfeitamente ter-nos sentado na primeira mesa que encontramos ou tomar café ao balcão…. - Não seria a mesma coisa…- disse ele evasivamente. - Porque…. - O decote desse vestido dá-me vontade de ver o que ele esconde….a cor do soutien…o tecido. - Só podes estar a brincar? Um engate barato para me ver as mamas? – Perguntei sem qualquer pudor. - Basicamente sim, mas tenho que admitir que falar contigo estava a despertar-me uma vontade de te foder na primeira oportunidade. - Acho que me vou embora. – Disse-lhe, mas algo me reteve. - Queres mesmo ir? Eu posso dar-te, nesta viagem o melhor acompanhamento que alguém pode ter…sexo, prazer e companhia. Claro que tudo tem o seu preço, mas estou à espera da tua proposta. - Eu não estou a entender….tu queres que eu te pague para vires comigo, foder comigo e fazer-me companhia? Em Milão? Numa das semanas mais importantes da minha carreira? - Estava a pensar nisso. – Diz ele muito calmamente. - E quanto cobras por 4 dias? Só para eu saber………. – Disse eu já com uma vontade de lhe dar um estalo e sair dali para fora perante tal ousadia. - 2000€ e vou contigo para onde quiseres e faço contigo o que quiseres. – Disse ele com segurança. - Tu não estás mesmo a brincar. E porquê eu? – Perguntei. - Gosto de ti e quero dar-te prazer. Aceitas? – Perguntou-me. - 2000€? Para meu acompanhante por 4 dias? Mas tu vais para onde? – Perguntei lembrando-me que nem sabia para onde iria e isso terminaria logo a questão. - Para Milão e contigo. – Diz ele. – Mas antes quero ver o que esconde esse decote. - Umas boas mamas e que tu vais descobrir. – E calei-me porque entretanto a empregada chegou com os cafés, tendo ele de imediato se prontificado para os pagar. - Negócio fechado, mas com uma condição. Se eu não gostar, dispenso-te nesse momento. Aceitas? – Digo eu certa do que gostava e queria. - O pior foi teres-me encontrado. O melhor é que ainda estamos a começar. Agora bebe o teu café, palpita-me que vamos ter um voo muito agradável, embora atribulado, até Milão.
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