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Café com Sabor... - Parte V

Foto do escritor: Eva RibeiroEva Ribeiro

Entreguei-me àquele desconhecido cujo único objectivo era dar-me prazer, sem qualquer ónus. Bem, tinha perfeita noção de que lhe tinha pago para estar comigo aqueles dias, mas também sabia que fora escolhida por ele. Sabia que não obstante o serviço…havia o prazer, o que ele me dava e o que eu estava a sentir. E havia outra coisa que ainda era para mim desconhecida, o prazer dele, a entrega dele…se real ou dissimulada.

E de pernas abertas e com o reflexo do meu corpo no espelho, via-o percorrê-lo, alternando o seu toque com o da língua, sorvendo cada recanto do meu corpo, sem pressa mas provocando e acelerando o meu prazer. - Rafael…. – Suspiro ao sentir que a língua dele se fixa entre as minhas pernas, molhando-me o sexo desnudo e teimando em permanecer até sorver todo o meu prazer. Através do reflexo que o espelho me devolve vejo-o de costas, ainda completamente vestido, acariciando-me com uma das mãos um dos seios enquanto a outra acompanha a língua, entre as minhas pernas. E dou por mim nesse momento a desviar o olhar do espelho e a ir ao encontro dele, vendo o seu olhar perdido em mim, primeiro no meu corpo que toca com mestria até depois se fixar nos meus olhos, potenciando ainda mais o meu prazer, que não retenho até ser invadida por um intenso orgasmo e que é o cumulativo de toda a tensão sentida naquele momento e nas horas anteriores. E enquanto o meu corpo estremece dos pés à cabeça, ele começa lentamente a despir-se, obrigando-me a permanecer naquela posição, obrigando-me a continuar submetida ao seu poder. Mas quando se aproxima, ainda de boxers vestidos, percebo que a erecção denuncia o seu desejo e imediatamente, todas as dúvidas que pudesse ter, dissipam-se. Roça o seu corpo no meu, permitindo-me sentir, ainda que através do tecido dos boxers, aquela erecção nas minhas nádegas. E, sem desviar os olhos dos nossos corpos reflectidos no espelho, a minha mão move-se instintivamente para trás de mim, tocando o corpo dele e com um único objectivo, baixar-lhe os boxers, a única peça de roupa que separa a pele dele da minha. Mas ele trava esse movimento e, sem dizer uma palavra, obriga-me a apoiar as mãos no espelho e a inclinar o corpo para a frente. Olho para ele, através do espelho e vejo-o perdido a contemplar as minhas formas, as que ele queria apreciar quando ainda estávamos sentados no café do aeroporto do Porto.

- Gostas do que vês? – Perguntei atrevidamente. Ele não me responde por palavras, mas quando baixa os boxers e me penetra de seguida, não dá espaço a que persista qualquer dúvida. E nesse momento, sou invadida por um prazer avassalador, que me descontrola por completo e me faz render ao prazer que ele me dá e que de forma ritmada tenta doseá-lo, mas é apanhado pela mesma teia em que eu já estou e é o instinto primário que leva a melhor. E surpreende-me quando diz o meu nome, entre gemidos, segurando-me de seguida, com firmeza, nas minhas ancas, intensificando a penetração e o ritmo de cada investida. Cedo primeiro e depois ele segue-me, para depois apenas se afastar de mim, depois de uma rápida troca de olhares. O meu para me certificar que é real e o dele para confirmar a minha satisfação. É a vez dele querer saber se gostei, sei disso, mas rapidamente me esquivo dessa pergunta e corro, manhosamente, para a casa de banho. Naturalmente ele segue-me e entra na banheira quase ao mesmo tempo que eu e fica a olhar para mim, tentando decifrar o meu olhar, a minha forma de estar. - Onde vamos agora, perguntei eu, tentando desviar a atenção dele? – Perguntei quebrando aquela semi-inquisição dissimulada. - Pensei em irmos até Navigli…conheces? – Perguntou-me. E enquanto cai sobre o meu corpo nu, calcorreando cada centímetro de pele que ele tocou e explorou, respondo-lhe quando trocamos de lugar, obrigando a que os nossos corpos voltem a roçar um no outro aquando da passagem de um lado para o outro da banheira. Ele não disfarça a erecção que eu finjo não perceber e eu respondo-lhe, enquanto pego no gel de banho. - Por acaso não conheço e já estive para lá ir da última vez que cá estive. É um bairro boémio e que toda a gente fala e que se estende pelo canal. – Digo ciente de que a minha indiferença está a ter o efeito exponencialmente oposto nele. - Parece-me um bom programa. – E avanço na direcção dele, mas desvio-me no último momento para alcançar o champô que está mesmo por trás dele. E em vez de o utilizar em mim, deito um pouco na cabeça dele e aproximo-me até estar com o meu corpo bem perto do dele. – Lava o teu cabelo que eu tenho algo mais interessante para fazer. – E desço sobre ele, deixando-o extasiado quando os meus lábios se entreabrem e a minha língua toca no abdómen dele e começa a descer.


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